O julgamento do caso Henry Borel ganhou novos detalhes nesta terça-feira (26), após o depoimento do delegado Edson Henrique Damasceno no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.
Responsável pelas investigações na época da morte do menino, o policial afirmou que mensagens encontradas no celular da babá foram essenciais para desmontar a versão inicial apresentada pelos acusados.
Segundo Damasceno, o caso chegou inicialmente à polícia como um suposto acidente doméstico. No entanto, os exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) apontaram múltiplas lesões graves no corpo da criança, incluindo ferimentos na cabeça, pulmão, fígado e rins, além de hematomas em diversas partes do corpo.
De acordo com o delegado, a versão de que Henry teria sofrido os ferimentos após cair da cama não resistiu às análises periciais e à reprodução simulada feita no apartamento onde o menino vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o então padrasto, Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho.
As investigações avançaram após a recuperação de mensagens e capturas de tela armazenadas no celular da babá Thayná de Oliveira Ferreira.
Conforme relatado no júri, os diálogos indicavam episódios anteriores de violência supostamente cometidos por Jairinho contra Henry.
Entre os relatos apresentados, a babá descrevia uma situação em que o menino teria saído de um quarto mancando e reclamando de dores após permanecer sozinho com o padrasto.
O delegado afirmou ainda que as conversas sugerem que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho.
Damasceno também declarou que pessoas próximas à família teriam sido orientadas a apresentar versões falsas durante as investigações.
Segundo ele, mensagens apagadas foram recuperadas por meio do software israelense Cellebrite, utilizado em perícias de aparelhos celulares.
Outro ponto citado no depoimento envolve uma suposta tentativa de Jairinho de impedir o encaminhamento do corpo de Henry ao Instituto Médico Legal.
O delegado afirmou que o então vereador teria pressionado funcionários do hospital para agilizar a emissão do atestado de óbito sem realização de perícia.
O julgamento segue nos próximos dias com novos depoimentos de testemunhas de acusação e defesa. Jairinho responde por homicídio qualificado, tortura e outros crimes relacionados ao caso. Já Monique Medeiros é acusada de homicídio por omissão e demais delitos ligados à morte do filho.
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