Durante compromisso oficial no Rio de Janeiro neste sábado (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender as políticas de inclusão no ensino superior e afirmou que as universidades públicas precisam representar a diversidade social e racial do país.
A declaração foi feita em Manguinhos, durante cerimônia ligada à inauguração do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Ao comentar os efeitos das políticas de cotas, Lula destacou o crescimento da presença de estudantes negros e moradores de periferias nas instituições públicas de ensino superior.
Como exemplo, mencionou a Universidade de São Paulo (USP), afirmando que a universidade passou a receber um número maior de jovens vindos das periferias e de estudantes negros.
Segundo o presidente, as ações afirmativas têm como objetivo ampliar oportunidades historicamente limitadas para parte da população brasileira, sem excluir outros grupos sociais.
Ele afirmou que as políticas de inclusão buscam promover igualdade de acesso à educação e ampliar direitos para setores que enfrentaram dificuldades históricas de acesso ao ensino superior.
Durante o discurso, Lula também criticou desigualdades históricas no país e afirmou que, por muitos anos, parcelas mais privilegiadas da sociedade não consideravam prioridade ampliar o acesso à educação para pobres, indígenas e negros.
O presidente relacionou esse cenário às dificuldades enfrentadas pela população mais vulnerável em áreas como renda, saúde e mobilidade social.
O chefe do Executivo ainda comparou o desenvolvimento educacional do Brasil ao de outros países da América Latina. Segundo ele, a República Dominicana criou uma universidade poucas décadas após a chegada de Cristóvão Colombo ao continente, enquanto o Brasil só instituiu oficialmente sua primeira universidade em 1920.
Dados recentes do Censo da Educação Superior, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e organizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apontam que estudantes que ingressaram por meio do sistema de cotas apresentaram índice de conclusão superior ao dos demais alunos nas universidades federais.
De acordo com o levantamento de 2024, cerca de 49% dos estudantes cotistas concluíram a graduação, enquanto entre os não cotistas o índice foi de 42%.
O MEC também informou que mais de 1,4 milhão de estudantes ingressaram em instituições federais de ensino superior por meio das políticas de reserva de vagas entre 2013 e 2024.
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