As autoridades chinesas determinaram a suspensão temporária de três frigoríficos brasileiros após a identificação de irregularidades sanitárias em cargas de carne bovina exportadas ao país.
A decisão teve impacto imediato no setor e foi confirmada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
As unidades afetadas pertencem às empresas JBS, Prima Foods e Frialto. A planta da JBS localizada em Pontes e Lacerda (MT) foi uma das incluídas na medida. Já a Prima Foods teve sua unidade em Araguari (MG) suspensa, enquanto a Frialto foi atingida em Matupá (MT).
Segundo a Abiec, a suspensão tem caráter preventivo e temporário, permanecendo válida enquanto as empresas adotam ajustes nos processos de rastreabilidade e correção das inconformidades apontadas pelas autoridades chinesas.
No caso da Frialto, a empresa informou que foi identificada a presença do hormônio sintético acetato de medroxiprogesterona em uma das cargas exportadas.
Após a decisão, a companhia reduziu cerca de 40% da produção da unidade de Matupá e passou a redirecionar parte da produção para outros mercados, incluindo Estados Unidos, México, União Europeia e países da Ásia e do mundo árabe.
A empresa também afirmou que iniciou uma investigação técnica para apurar a origem da irregularidade e trabalha com a expectativa de normalizar as exportações em ciclos futuros.
Segundo a Frialto, a medida ocorre em um período próximo ao limite da cota de exportação prevista para 2026, o que já reduziria o volume de embarques ao mercado chinês.
A Abiec destacou que o Brasil mantém um sistema de controle sanitário considerado rigoroso, com fiscalização ao longo de toda a cadeia produtiva e atuação do Serviço de Inspeção Federal (SIF). De acordo com a entidade, os casos estão sendo tratados dentro dos protocolos acordados entre os dois países.
Até o momento, o Ministério da Agricultura e Pecuária e a Embaixada da China no Brasil não se manifestaram sobre o caso.
A suspensão ocorre dias após a China liberar a retomada das exportações de outras três unidades brasileiras que estavam embargadas desde março de 2025, indicando oscilações recentes nas relações comerciais do setor.
O Brasil possui atualmente mais de 100 frigoríficos habilitados a exportar carne bovina para a China, que segue como o principal destino da proteína brasileira no mercado internacional.
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