A Polícia Federal recebeu uma denúncia que aponta suspeitas de pressão sobre um diretor de escola estadual no Noroeste Fluminense para liberar R$ 200 mil de recursos públicos destinados a uma unidade escolar.
O valor, segundo o relato, teria como objetivo beneficiar a campanha eleitoral de Thamires Rangel, filha do deputado estadual Thiago Rangel, preso no âmbito da Operação Unha e Carne.
O caso chegou à PF por meio de um dossiê anexado a uma notícia de fato enviada pelo canal “Comunique PF” e incorporado ao inquérito em andamento.
O material reúne indícios de possíveis irregularidades envolvendo corrupção, direcionamento de contratos de obras em escolas estaduais e suspeita de uso de verba pública para fins eleitorais.
De acordo com a denúncia, o diretor teria sido pressionado durante uma videoconferência realizada próximo às eleições de 2024.
No encontro, estariam presentes a então diretora administrativa da Regional Noroeste da Secretaria Estadual de Educação, Júcia Gomes de Souza Figueiredo, e o empresário Vinícius de Almeida Rodrigues, ligado à VAR Construtora.
O relato afirma que haveria a tentativa de transferência de R$ 200 mil da conta da escola, com promessa de devolução posterior e emissão de nota fiscal falsa, o que indicaria uma possível tentativa de mascarar a origem dos recursos.
O diretor teria resistido à operação e relatado temor de retaliações. Ele também afirma possuir registros da conversa, mas optou por não seguir com o procedimento por receio de consequências.
Em outra reunião citada no documento, com participação do assessor Luiz Fernando Passos de Souza, o deputado Thiago Rangel teria aparecido em videoconferência e mencionado a possibilidade de antecipação de pagamentos de obras e o envio de emendas parlamentares futuras.
O material foi incluído no relatório da Operação Unha e Carne, que embasa investigações em andamento. Segundo os investigadores, há convergência entre o depoimento e outras provas já reunidas, indicando possível esquema envolvendo contratos de obras em escolas estaduais e desvio de recursos públicos.
A PF também aponta semelhanças com apurações da Operação Postos de Midas, que investiga suspeitas de caixa dois eleitoral em 2024, envolvendo empresas como VML Construção e Serviços e VAR Construtora.
O conteúdo da denúncia ainda cita suposta pressão para antecipação de pagamentos de obras antes da execução dos serviços, além de fracionamento de valores em parcelas menores.
A defesa do parlamentar nega as acusações e afirma que ele é inocente, alegando que os materiais apresentados estariam fora de contexto e que não há vínculo com organização criminosa ou irregularidades financeiras.
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