Uma pesquisa inédita realizada por organizações da sociedade civil aponta que a ampla maioria dos moradores de favelas do Rio de Janeiro rejeita as operações policiais com confrontos armados nos moldes atualmente adotados na cidade.
O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (20), também revela um cenário de forte impacto social, medo e restrição de direitos nas comunidades afetadas por ações frequentes de segurança pública.
O estudo “Por que moradores de favelas aprovam ou reprovam operações policiais com confronto armado?” ouviu 4.080 moradores do Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Maré e Rocinha entre 13 e 31 de janeiro, com entrevistas presenciais distribuídas igualmente entre as comunidades.
Os resultados indicam que 92% dos entrevistados reprovam o modelo atual de operações policiais com confronto armado. Segundo a pesquisa, nove em cada dez moradores defendem que as ações deveriam ocorrer de outra forma ou não deveriam acontecer nas favelas.
O levantamento mostra ainda que 73% não aprovam o modelo atual, mesmo reconhecendo a necessidade de ações de segurança, o que indica uma rejeição ao nível de violência empregado nas operações.
A coordenadora do estudo, Eliana Sousa Silva, da Redes da Maré, afirma que o objetivo é compreender a percepção dos moradores que convivem diretamente com os impactos das ações policiais, como tiroteios, interrupções de serviços e restrição de circulação.
Entre os principais efeitos citados estão o fechamento de escolas, invasões de residências e estabelecimentos, além de episódios de balas perdidas e interrupções no deslocamento diário.
O estudo também aponta que 91% dos entrevistados percebem excessos ou ilegalidades durante as operações policiais, índice que também aparece entre parte dos que apoiam as ações.
Na área da educação, comunidades como o Complexo da Maré relatam suspensão frequente de aulas, prejudicando o calendário escolar e o desempenho dos estudantes.
Outro dado relevante indica que 61% dos moradores percebem influência racial no planejamento e na execução das operações, com maior incidência entre pessoas pretas e jovens de 18 a 29 anos.
O levantamento revela ainda que 78% dos entrevistados sentem medo da atuação policial durante operações, em muitos casos superior ao medo de grupos armados presentes nas comunidades.
As entidades responsáveis pelo estudo afirmam que os dados reforçam a necessidade de revisão das estratégias de segurança pública, levando em conta os impactos diretos sobre a população civil e o acesso a direitos básicos nas favelas do Rio de Janeiro.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












