Uma iniciativa criada na Escola Técnica Estadual Juscelino Kubitschek, unidade da Fundação de Apoio à Escola Técnica localizada no Jardim América, na Zona Norte do Rio de Janeiro, vem unindo educação e sustentabilidade de forma inovadora.
O projeto “Faetequinho: elos sustentáveis por uma educação de qualidade” oferece curso preparatório gratuito para jovens da comunidade em troca da doação de óleo de cozinha usado.
Na prática, os estudantes interessados no pré-técnico realizam a matrícula mediante a entrega de dois litros de óleo utilizado. A mesma quantidade é solicitada mensalmente como forma simbólica de contribuição ao projeto.
A proposta busca estimular o descarte correto do resíduo e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso de jovens da região ao ensino técnico público.
Segundo a escola, desde a criação da iniciativa, em 2014, já foram arrecadados mais de 17 mil litros de óleo de cozinha. No mesmo período, 437 estudantes participaram gratuitamente das aulas preparatórias. De acordo com o diretor da unidade, Maicon Lisboa, cerca de 20% dos participantes conseguiram aprovação posteriormente no processo seletivo da Faetec.
O projeto surgiu a partir de uma preocupação ambiental de alunos e professores da unidade. Na época, a escola identificou o descarte irregular de óleo de cozinha em rios da região, além das dificuldades enfrentadas por moradores do Jardim América e bairros vizinhos para ingressar em instituições públicas de ensino técnico.
A professora Caroline Porto, docente de Gestão Ambiental da escola desde 2011, explica que a proposta inicialmente tinha foco apenas na preservação ambiental. Com o tempo, a ação passou a incorporar também um objetivo social voltado à educação.
O curso preparatório oferece aulas de Língua Portuguesa e Matemática, disciplinas exigidas nos processos seletivos da Faetec. Além disso, parte do óleo arrecadado é reaproveitada pelos próprios alunos em atividades práticas dentro da escola.
Segundo o coordenador do projeto, Marcelo Luiz, o óleo passa por um processo químico de reciclagem e é transformado em sabão.
Os estudantes participam das etapas de filtragem, preparação da pasta e moldagem do produto, utilizando equipamentos de proteção individual durante todo o procedimento.
O sabão produzido é vendido na comunidade para ajudar a custear o projeto ou distribuído aos colaboradores da iniciativa. Já o restante do óleo arrecadado é encaminhado para uma cooperativa especializada em reciclagem.
Para muitos alunos, o projeto representa não apenas uma oportunidade educacional, mas também uma experiência prática de conscientização ambiental.
A estudante Emily Monteiro afirma que a proposta demonstra como resíduos que seriam descartados podem ganhar nova utilidade de maneira sustentável.
O impacto social da iniciativa também aparece nas histórias de ex-alunos que retornam à escola para colaborar com o projeto. É o caso de Mickaelly Cristinaelue, que participou do curso preparatório, foi aprovada para estudar na Faetec e hoje atua ajudando novos estudantes.
Segundo ela, o apoio dos professores foi fundamental para sua aprovação e agora existe o desejo de retribuir ajudando outros jovens da comunidade a conquistarem a mesma oportunidade de acesso à educação técnica pública.
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