As discussões sobre o financiamento do filme Dark Horse, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganharam novos capítulos nesta quarta-feira após declarações públicas do deputado federal Mario Frias.
O parlamentar negou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tenha investido recursos na produção e afirmou que o longa foi financiado exclusivamente por capital privado.
Em publicação nas redes sociais, Frias declarou que “não há um centavo” de Vorcaro no projeto cinematográfico. O deputado argumentou ainda que, mesmo que houvesse participação financeira do empresário, não existiria ilegalidade, já que os recursos seriam privados e sem qualquer envolvimento de dinheiro público.
Atuando como produtor executivo do filme, Mario Frias também procurou afastar o senador Flávio Bolsonaro das suspeitas envolvendo a produção. Segundo ele, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não possui participação societária no longa nem vínculo com a produtora responsável pelo projeto.
O deputado afirmou que a participação de Flávio se restringiu à autorização para uso de imagem da família Bolsonaro.
Durante o posicionamento, Frias afirmou que o interesse de investidores em Dark Horse estaria relacionado ao alcance político e à popularidade do sobrenome Bolsonaro.
O parlamentar descreveu o longa como uma produção de grande porte, com padrão internacional e participação de profissionais estrangeiros na direção, no elenco e no roteiro.
O deputado também aproveitou a manifestação pública para responder críticas relacionadas à sua atuação política. Ex-secretário especial da Cultura durante o governo Bolsonaro, Frias afirmou que jamais colocaria sua reputação em risco por recursos ligados ao empresário Daniel Vorcaro.
As declarações ocorreram após reportagens divulgadas pelo portal The Intercept Brasil apontarem uma suposta relação próxima entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Segundo a publicação, mensagens e áudios atribuídos aos dois tratariam de negociações relacionadas ao financiamento de Dark Horse.
Antes da divulgação do conteúdo, Flávio Bolsonaro já havia rejeitado tentativas de associar a direita política ao caso envolvendo o Banco Master. Em evento político realizado em João Pessoa, na Paraíba, o senador acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de construir uma “narrativa falsa” contra adversários políticos.
Na ocasião, Flávio também declarou que as investigações relacionadas ao caso estariam alcançando pessoas próximas ao governo federal. O parlamentar citou os nomes do senador Jacques Wagner e do ministro Rui Costa como figuras ligadas ao núcleo das apurações.
Segundo o The Intercept Brasil, as mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro indicariam proximidade pessoal entre ambos, incluindo conversas em tom informal. A reportagem afirma ainda que Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões ao financiamento do longa sobre Jair Bolsonaro.
O portal também relata que um dos diálogos teria ocorrido em novembro de 2025, pouco antes da primeira prisão do empresário na Operação Compliance Zero e dias antes da liquidação do Banco Master.
De acordo com a publicação, o orçamento total estimado para o filme teria chegado a R$ 134 milhões, embora não existam evidências de que todo o valor tenha sido efetivamente transferido para a produção.
Até o momento, todos os envolvidos negam irregularidades e sustentam que os investimentos relacionados ao filme ocorreram de forma legal e exclusivamente no âmbito privado.
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