Uma nova tecnologia educacional desenvolvida na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) está transformando a forma como pessoas com deficiência visual aprendem ciências.
O projeto Rede 3DucAssist aposta na criação de modelos tridimensionais táteis de estruturas biológicas, produzidos por impressão 3D com recursos como relevo detalhado, Braille e variações de textura e cor para facilitar a compreensão sensorial.
A iniciativa conta com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e reúne uma rede de mais de dez instituições de pesquisa no Brasil.
O foco é ampliar o acesso ao conhecimento em áreas como biologia, biomedicina, meio ambiente e tecnologia, especialmente para estudantes com deficiência visual.
Embora a impressão 3D já seja utilizada em contextos educacionais, o diferencial do 3DucAssist está na forma como os modelos são construídos.
De acordo com o professor da UERJ e coordenador do projeto, Eduardo Torres, as representações são geradas a partir de imagens reais de estruturas microscópicas, captadas com equipamentos de alta precisão.
Entre as tecnologias utilizadas estão microscópios avançados, microtomógrafos e scanners 3D, que permitem reproduzir com fidelidade elementos como vírus, bactérias, vermes e partes do corpo de animais.
Esses modelos são pensados para serem explorados principalmente pelo tato, facilitando a aprendizagem de estudantes cegos ou com baixa visão.
Antes de chegar às salas de aula, museus e instituições de ensino, o material passa por avaliação de pessoas cegas do Instituto Benjamin Constant (IBC), garantindo que os recursos sejam realmente acessíveis e funcionais.
A proposta também prevê a produção em larga escala desses modelos, com distribuição gratuita para escolas públicas e instituições voltadas ao atendimento de pessoas com deficiência visual.
Segundo dados do IBGE, o Brasil tem cerca de 35 milhões de pessoas com algum grau de deficiência visual, incluindo aproximadamente 528 mil pessoas cegas.
Outro desdobramento do projeto é a criação de jardins sensoriais, espaços educativos que utilizam estímulos como toque, cheiros e sons para aproximar o aprendizado da experiência prática, especialmente em temas ligados ao meio ambiente.
Para o coordenador Eduardo Torres, o avanço está no fato de que a acessibilidade já é pensada desde a origem do projeto.
Ele explica que os modelos são desenvolvidos em softwares específicos de modelagem 3D voltados à tecnologia assistiva, o que elimina adaptações posteriores e garante maior precisão e funcionalidade no ensino inclusivo.
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