O sistema de transplantes no Brasil registrou em 2025 o maior número de procedimentos da série histórica recente, com 31 mil cirurgias realizadas em todo o país.
O resultado representa um crescimento de 21% em relação a 2022 e foi acompanhado por um aumento de 37% nos investimentos federais destinados ao Sistema Nacional de Transplantes, que somaram R$ 1,5 bilhão.
Entre os procedimentos mais frequentes, o transplante de córnea lidera o ranking, com mais de 17,7 mil cirurgias. Na sequência aparecem os transplantes de rim, medula óssea, fígado e coração, que também apresentaram desempenho expressivo no período.
O avanço do setor foi impulsionado pela ampliação das equipes especializadas em captação de órgãos e pela expansão da logística aérea.
No total, foram realizados quase 5 mil voos para transporte de órgãos, número 22% maior do que o registrado anteriormente.
Para o membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, Valter Garcia, os resultados refletem a retomada do sistema após o impacto da pandemia, que reduziu significativamente as taxas de doação e transplantes nos anos anteriores.
O impacto humano desses procedimentos também é evidenciado por histórias de pacientes beneficiados. O médico Edson Arakaki recebeu um rim doado por sua irmã após complicações causadas pela Doença de Berger, recuperando a função renal e retomando a vida normal, inclusive a prática de atividades físicas.
Outro caso é o de Patrícia Fonseca, que recebeu um transplante de coração após a autorização da família do doador, destacando a importância do gesto para sua sobrevivência.
Apesar dos avanços, a recusa familiar ainda representa um desafio importante no país. Atualmente, cerca de 45% das famílias não autorizam a doação de órgãos, segundo especialistas, que reforçam a necessidade de campanhas de conscientização para ampliar o entendimento sobre o processo.
Para entrar na fila de transplantes, o paciente deve passar por avaliação médica em serviço habilitado. Após confirmação da indicação, ele é incluído no sistema nacional de espera, que organiza a distribuição dos órgãos conforme critérios clínicos.
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