A Polícia Federal (PF) identificou indícios de possíveis pagamentos mensais e vantagens atribuídas ao senador Ciro Nogueira no âmbito da 5ª fase da Operação Compliance Zero, segundo representação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O documento foi enviado ao ministro André Mendonça e embasou medidas cautelares adotadas na investigação, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro.
De acordo com os investigadores, haveria indícios de repasses mensais que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, supostamente vinculados ao empresário Daniel Vorcaro.
O relatório também cita a possibilidade de benefícios adicionais, como custeio de viagens internacionais, hospedagens, despesas em restaurantes, uso de jatos privados e acesso a imóveis de alto padrão.
A investigação aponta ainda a hipótese de atuação política em iniciativas legislativas de interesse do grupo investigado. Entre os exemplos mencionados está a chamada “Emenda nº 11” à PEC nº 65, apresentada em 2024, que previa mudanças no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), elevando o limite de cobertura de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por cliente.
Segundo a PF, há suspeitas de que o texto da emenda teria sido elaborado por pessoas ligadas ao ambiente empresarial investigado e posteriormente apresentado no Congresso Nacional. A apuração também registra relatos de interlocutores sobre a aprovação da proposta em linha com interesses previamente definidos.
Outro ponto citado no relatório envolve a aquisição de participação societária em empresa de investimentos, que teria ocorrido por valor abaixo do considerado de mercado pelos investigadores, o que também está sob análise.
Em decorrência da investigação, o STF determinou medidas cautelares, incluindo restrições de contato entre investigados e limitações de deslocamento, além de outras medidas aplicadas a pessoas citadas no inquérito.
Em nota, a defesa de Ciro Nogueira afirmou que rejeita qualquer suspeita de irregularidade, declarou que o senador colabora com as autoridades e sustentou que interpretações sobre relações pessoais ou trocas de mensagens não configurariam, por si só, ilícitos.
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