Produto que o brasileiro usa para substituir a carne em tempos de crise, o ovo desapareceu das prateleiras dos supermercados em vários países. A escassez atinge os EUA, México, Nova Zelândia e alguns países da Europa, como o Reino Unido.
No ano passado, o produto contabilizou um reajuste de 18,45% para o consumidor no Brasil. Desde a pandemia, em alguns lares, por conta do preço da carne, o brasileiro passou a usar o ovo como proteína nos alimentos.
Já os fatores que afetam o mercado mundial tem diferentes agentes provocadores. Em alguns países, o surto de gripe aviária afetou a produção. Este seria o caso, por exemplo, dos EUA e México.
Na Europa o mercado está fortemente afetado pelo custo no preço da energia no continente, em decorrência do conflito na Ucrânia e as sanções contra a Rússia, o maior abastecedor de matriz energética a custo competitivo.
Na Nova Zelândia, o problema é a lei. Uma nova legislação no país proíbe a criação de aves poedeiras em gaiolas. São as chamadas aves de postura, as galinhas usadas na produção de ovos para consumo. A legislação que vigora desde janeiro deste ano obrigou investimentos dos produtores para adaptação, o que contribuiu para a elevação de custos.
O aumento no preço dos ovos no Brasil, em parte, é apontado como um reflexo do que está acontecendo no mercado mundial.
“Os EUA estão enfrentando o pior surto de gripe aviária de sua história. Mais de 60 milhões de aves já foram abatidas sanitariamente, em mais de 47 estados. Por sua vez, a Europa também atravessa uma crise bastante complexa”, explicou Luiz Rua, diretor da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em entrevista à agência Sputnik.
O impacto da gripe elevou o preço da bandeja de ovos para US$ 27 no mercado norte-americano, o que deve contribuir ainda mais para a inflação de alimentos que atingem o país.
“Houve um abate massivo [aves] por conta de doença. Então teve uma quebra muito significativa da produção de ovos. Eu acabei de voltar dos Estados Unidos e uma caixa de ovos, aquela bandeja maior, estava custando US$ 27, ou seja, R$ 100. Muito caro”, destacou a professora de economia, Cristina Helena Pinto de Mello. Ela é doutora e mestre em economia de empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP).
Na avaliação dos dois especialistas, o Brasil não enfrenta riscos de gripe aviária, porque nunca registrou um único caso e as autoridades mantêm um bom trabalho preventivo, com vigilância sanitária.
Também não há riscos de escassez de ovos no mercado interno, tendo em vista que no país a produção deve chegar a 51 bilhões de unidades, o que daria uma média de 1.500 ovos produzidos por segundo. Atualmente, 99,5% do que é produzido no Brasil é destinado ao mercado interno. Contudo, o aumento de preços será inevitável.
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