Enquanto os governos ocidentais continuam empunhando bandeiras ambientalistas e debatendo adoção de energia limpa, a demanda por petróleo continua crescendo, assim como a cotação internacional do barril atingiu preços recordes após o controle da pandemia da covid-19.
Para os próximos anos, a perspectiva do mercado ainda é de demanda acelerada e por isso, os produtores globais de petróleo devem investir muito mais na indústria para atender às futuras necessidades energéticas do mundo. O que se observa, até o momento, é euforia pró-energia limpa, sem uma pauta inclusiva para todos os países.
A avaliação é do secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Haitham Al-Ghais, ao falar no Egypt Petroleum Show, conferência sobre petróleo e gás realizada no Egito neste domingo (12). Ele avalia que as políticas climáticas precisam ser mais “equilibradas e justas”.
Seus comentários traduzem uma grande mudança entre países e corporações de energia, sobre a eliminação dos combustíveis fósseis. “É imperativo que todas as partes envolvidas nas negociações climáticas em curso parem por um momento; olhe para o quadro geral”, disse Al-Ghais, representante do Kwait na Opep.
Ele sugeriu a adoção de esforços conjuntos “para uma transição energética que seja ordenada, inclusiva e ajude a garantir a segurança energética para todos”.
Os preços globais do petróleo, gás natural e carvão subiram no ano passado após as sanções relacionadas à Ucrânia impostas pelas potências ocidentais à Rússia, um dos maiores produtores e exportadores mundiais de petróleo e derivados.
Em março de 2022, a principal referência global do setor – o petróleo tipo Brent – superou US$ 133 por barril, subindo mais de US$ 50 desde o início daquele ano, atingindo seu nível mais alto desde junho de 2008. Os preços então diminuíram e terminaram o ano em torno do mesmo nível em que começaram. No entanto, em uma base anual, o petróleo está sendo negociado 43% maior do que em 2021.
De acordo com Al-Ghais, a indústria petrolífera global precisa de até US$ 500 bilhões de investimento anualmente até 2045, já que tem sido “atormentada por vários anos de sub-investimento crônico”.
A cúpula climática COP28 no final de 2023, que será organizada pelos Emirados Árabes Unidos, um membro da Opep, “servirá como uma nova oportunidade para explorar soluções inclusivas, sustentáveis e baseadas em consenso para a mudança climática”, disse o secretário-geral.
O alto funcionário também disse que o grupo espera que a demanda por petróleo, em 2023, exceda os níveis pré-pandemia, atingindo quase 102 milhões de barris por dia, e aumente ainda mais para 110 milhões de barris por dia até 2025.
Al-Ghais reiterou que a Opep e seus parceiros – conhecidos como Opep+, a aliança de 23 nações liderada pela Arábia Saudita e Rússia – estão “comprometidos em apoiar a estabilidade do mercado de petróleo”.
Da RT com edição de Fonte Exclusiva. Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











