Durante um evento realizado em São Bernardo do Campo (SP), nesta sexta-feira (1º), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que o governo federal pretende encerrar as celebrações do Dia do Trabalhador com um compromisso político voltado à revisão da escala de trabalho 6×1 no país.
Segundo o ministro, o modelo atual — em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa um — deve ser substituído por uma organização com maior tempo de descanso semanal. A proposta defendida pelo governo prevê ao menos dois dias de folga por semana e jornada de até 40 horas semanais, sem redução salarial.
Boulos destacou ainda que não houve mudanças estruturais na jornada de trabalho brasileira desde a Constituição de 1988 e afirmou que o tema voltou ao centro do debate público após pressão social e maior adesão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às pautas trabalhistas.
Segundo ele, a discussão deixou de avançar de forma lenta no Congresso Nacional e passou a ganhar maior visibilidade, com tendência de posicionamentos mais claros por parte de diferentes setores políticos à medida que o tema evolui.
Durante a entrevista, o ministro também comentou a situação dos trabalhadores por aplicativo, afirmando que o governo busca ampliar o diálogo com a categoria. Ele ressaltou que as plataformas digitais exercem forte influência econômica no setor, o que, na avaliação do governo, dificulta avanços regulatórios mais amplos.
Como possível medida de apoio, Boulos mencionou a criação de linhas de crédito para renovação de veículos utilizados por motoristas de aplicativo, em modelo semelhante ao já aplicado a caminhoneiros, com condições mais favoráveis de financiamento.
No campo político, o ministro fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro, afirmando que o parlamentar tenta se apresentar como figura moderada, mas que seu histórico não corresponderia a essa imagem. Ele também criticou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, questionando resultados de sua gestão.
As declarações foram feitas em meio às comemorações do Dia do Trabalhador e ocorrem paralelamente ao avanço de discussões no Congresso Nacional sobre possíveis mudanças na jornada de trabalho no Brasil.
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