Uma pesquisa recente indica que a maioria das mulheres muçulmanas no Brasil já enfrentou algum tipo de discriminação, reforçando a presença da islamofobia no país.
Os dados integram a terceira edição de um estudo desenvolvido por pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo o levantamento, aproximadamente oito em cada dez participantes relataram ter sido vítimas de preconceito em algum momento.
O uso do véu islâmico aparece como um dos principais fatores de identificação associados a episódios de hostilidade, já que torna essas mulheres mais visíveis em espaços públicos.
Entre as situações mais citadas estão ofensas verbais, constrangimentos, abordagens abusivas, perseguições e dificuldades de inserção no mercado de trabalho.
A pesquisa foi coordenada pela antropóloga Francirosy Campos Barbosa, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP.
Ela destaca que os resultados apresentam pouca mudança em relação às edições anteriores, realizadas em 2022 e 2023, indicando a permanência dos padrões de discriminação.
O estudo contou com a participação de 328 mulheres muçulmanas, que responderam a questionários e relataram experiências de forma anônima.
Entre as entrevistadas, 92,2% afirmam perceber que são alvo de discriminação, enquanto 80,4% dizem já ter vivenciado situações concretas de preconceito.
Apesar da alta incidência de casos, muitas vítimas não realizam denúncias formais. A subnotificação é apontada como um desafio recorrente, motivada pela falta de confiança nas instituições ou pela dificuldade de comprovar os episódios ocorridos.
Para a pesquisadora responsável, o enfrentamento do problema passa pela ampliação do debate público e por ações educativas que promovam maior integração social e redução do desconhecimento sobre a religião islâmica.
A socióloga e doutoranda Mariana dos Santos também observa que, no contexto brasileiro, a discriminação tende a ocorrer de forma mais sutil do que em outros países, o que contribui para sua invisibilidade e continuidade.
A coleta de dados foi realizada entre janeiro e março de 2026 em diferentes regiões do Brasil, com maior concentração de respostas provenientes do Sul e Sudeste.
O relatório completo da pesquisa tem previsão de divulgação em junho.
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