O fortalecimento das políticas públicas e a superação de barreiras geográficas e sociais deram o tom do Encontro Estadual de Paradas do Orgulho LGBTI+, realizado neste sábado (25), no Centro do Rio de Janeiro. Após um hiato de dez anos, o evento reuniu representantes de 35 municípios fluminenses com um objetivo central: criar uma frente única de cooperação entre as grandes celebrações da capital e as mobilizações no interior e na Baixada Fluminense, que enfrentam desafios estruturais e resistência conservadora.
A disparidade entre os territórios é um dos pontos mais críticos. Enquanto a Parada de Copacabana conta com a infraestrutura da orla, eventos como a Parada de Madureira lidam com a complexidade do subúrbio, onde a fiação elétrica baixa e o clima podem paralisar trios elétricos. Rogéria Meneguel, organizadora do evento em Madureira, destaca que a solução encontrada foi a migração para o Parque Madureira, garantindo segurança e continuidade mesmo sob chuva. Essa troca de experiências logísticas é o que o encontro busca perenizar.
No interior, o desafio ganha contornos de resistência política. Em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, a organização aposta na parceria com o comércio local e o setor hoteleiro para viabilizar a manifestação, contornando a falta de apoio institucional e o preconceito enraizado. Rafael Martins, do coletivo Arraial Free, defende que a união com a iniciativa privada local é uma estratégia de sobrevivência e afirmação da existência da comunidade em regiões tradicionalmente conservadoras.
O evento, organizado pelo Grupo Arco-Íris com apoio do Programa Rio Sem LGBTIfobia, também serviu para a construção de um calendário unificado. Já estão confirmadas as datas das Paradas de Arraial do Cabo (13 de setembro) e Copacabana (22 de novembro), com Madureira também prevista para novembro. A unificação das datas visa evitar a sobreposição de eventos e maximizar a visibilidade política das pautas de direitos civis.
Cláudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris, ressalta que o Rio de Janeiro é o estado com a maior capilaridade do movimento no Brasil, com mobilizações em 38 dos 92 municípios. Ao final da plenária, foram formuladas 25 recomendações que servirão de guia para a incidência política e o fortalecimento das redes de proteção à liberdade de expressão e diversidade em todo o território fluminense.
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