Em uma manhã de céu aberto e mar calmo na Praia do Pontal, em Arraial do Cabo (RJ), pesquisadores se aproximam da costa em caiaques para mais uma etapa de trabalho em campo.
A poucos metros da areia, mergulhadores entram na água e retornam com tartarugas marinhas capturadas de forma controlada para avaliação científica.
A atividade integra o Projeto Costão Rochoso, desenvolvido pela ONG Fundação Educacional Ciência e Desenvolvimento.
A iniciativa tem como objetivo monitorar a saúde dos costões rochosos — áreas de transição entre o continente e o oceano — e gerar dados científicos para ações de conservação ambiental.
Com apoio da Petrobras, o estudo busca entender de onde vêm as tartarugas que utilizam Arraial do Cabo como área de alimentação, uma das regiões com maior concentração de tartarugas-verdes no Brasil.
Segundo a bióloga Juliana Fonseca, responsável pela pesquisa, todas as cinco espécies de tartarugas marinhas presentes no litoral brasileiro podem ser encontradas na região.
Ela explica que os animais passam parte da vida no oceano aberto e, com o tempo, migram para áreas costeiras onde encontram condições ideais para crescimento e alimentação.
Após a captura, os animais passam por medições, pesagem e coleta de pequenas amostras de tecido para análise genética.
O objetivo é identificar suas áreas de origem e compreender melhor suas rotas migratórias entre locais de desova e alimentação.
De acordo com a pesquisadora, algumas tartarugas podem permanecer na região por longos períodos, entre 10 e 25 anos, antes de retornarem ao local de nascimento para reprodução.
O monitoramento também inclui a identificação individual dos animais por meio das placas da cabeça, que funcionam como uma espécie de “impressão digital”.
Cerca de 500 tartarugas já foram catalogadas desde 2018, com parte dos dados analisados em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF).
Outro foco da pesquisa é o impacto da presença humana sobre o comportamento dos animais, especialmente em áreas turísticas.
Os cientistas avaliam a distância de aproximação tolerada antes de sinais de estresse, informação que pode orientar práticas de turismo mais responsável.
Durante as atividades, a equipe também promove ações de conscientização com moradores e visitantes, reforçando a importância de não interagir diretamente com os animais marinhos.
Todo o trabalho é autorizado por órgãos ambientais como o ICMBio e o Projeto Tamar, garantindo protocolos de conservação e bem-estar animal.
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