Uma pesquisa desenvolvida no Brasil está avançando no campo da biotecnologia vegetal e pode contribuir para o desenvolvimento de culturas agrícolas mais produtivas e sustentáveis nos próximos anos.
O estudo, conduzido por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), investiga como o crescimento das plantas pode ser controlado a partir da identificação de genes responsáveis por regular seu desenvolvimento.
A proposta dos pesquisadores é compreender quais mecanismos genéticos funcionam como reguladores centrais do crescimento vegetal.
A partir dessa identificação, seria possível interferir nesses pontos de controle para otimizar o desempenho das plantas, aumentando produtividade e eficiência no uso de recursos naturais.
De acordo com a pesquisadora Adriana Hemerly, os genes identificados atuam como uma espécie de “centro de comando” dentro do organismo vegetal, permitindo reorganizar redes de funcionamento da planta para melhorar sua eficiência biológica.
O estudo envolve análises genéticas e experimentos em ambiente controlado, nos quais as plantas são submetidas a condições como escassez de água e interação com microrganismos benéficos que auxiliam na absorção de nutrientes.
Um dos avanços da pesquisa foi a identificação de genes presentes em diferentes espécies vegetais, o que pode permitir aplicação em culturas de grande importância econômica, como milho, soja, algodão e cana-de-açúcar.
Os resultados preliminares indicam aumento de produtividade e melhorias na eficiência do uso de água e luz solar, além de menor dependência de fertilizantes químicos.
Segundo a presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Caroline Alves, o investimento em ciência é estratégico e pode gerar impactos positivos em escala global.
Apesar dos avanços, os testes ainda estão restritos a ambientes controlados. Antes de chegar ao campo, as novas variedades precisam passar por avaliação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, responsável por regular organismos geneticamente modificados no Brasil.
A expectativa dos pesquisadores é que, após validações, as novas variedades possam chegar ao mercado agrícola em cerca de três anos, contribuindo para uma agricultura mais eficiente e sustentável.
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