Um novo levantamento mostra que a violência armada no Rio de Janeiro afeta diretamente a rotina escolar de milhares de crianças.
Segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (25) pelo Unicef, pelo Instituto Fogo Cruzado e pela Universidade Federal Fluminense (UFF), cerca de 190 mil estudantes tiveram seus trajetos entre casa e escola interrompidos entre janeiro de 2023 e julho de 2025.
Durante esse período, foram registradas 2.228 interrupções no transporte público, obrigando alunos a perder quase um dia inteiro de aula em muitos casos.
As barreiras foram montadas tanto pelo crime organizado quanto por operações policiais, manifestações e tiroteios. Entre as 4.008 escolas ativas em 2024, 95% tiveram ao menos uma interrupção de transporte em suas imediações.
Para o Unicef, essas interrupções tornam a rotina escolar instável e dificultam o aprendizado. Flávia Antunes, chefe do escritório da instituição no Rio, ressaltou que os eventos se concentram em bairros específicos, reforçando desigualdades territoriais e sociais.
Ela enfatizou a necessidade de políticas integradas de transporte, educação e segurança pública para garantir mobilidade segura e continuidade da aprendizagem.
O estudo aponta que quase metade dos bloqueios ocorreu durante dias letivos e no horário escolar, com duração média de sete horas e em um quarto dos casos ultrapassando 11 horas. A média de interrupções durante o período escolar foi de oito horas e 13 minutos, prejudicando significativamente o acesso às aulas.
Bairros como Penha, Jacarepaguá e Bangu registraram o maior número de interrupções, totalizando centenas de eventos que afetaram dezenas de dias letivos.
A pesquisa também classificou 120 escolas municipais em situação de alto ou muito alto risco devido à recorrência das interrupções, concentradas principalmente na zona norte, seguida da zona oeste.
Especialistas afirmam que a política de segurança pública baseada em operações policiais imprevisíveis contribui para a instabilidade.
Carolina Grillo, coordenadora do Geni/UFF, destacou que proteger os perímetros escolares é essencial, já que impedir o acesso à educação compromete a mobilidade social futura das crianças.
Maria Isabel Couto, diretora de Dados e Transparência do Instituto Fogo Cruzado, reforçou que os impactos da violência vão além da interrupção do transporte, criando insegurança emocional e acentuando desigualdades entre bairros, exigindo atenção urgente das políticas públicas municipais e estaduais.
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