A unidade da Igreja Batista da Lagoinha no bairro Belvedere, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, encerrou suas atividades no último domingo (15), em meio à repercussão da prisão do pastor Fabiano Campos Zettel, investigado pela Polícia Federal por suposto envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras.
O fechamento ocorreu menos de duas semanas após a nova prisão de Zettel, que, além de atuar como pastor na unidade, é cunhado do empresário Daniel Vorcaro, também alvo da mesma investigação. A igreja funcionava em uma área nobre da capital mineira e tinha capacidade para mais de duas mil pessoas.
A assessoria da Igreja Batista da Lagoinha confirmou o encerramento das atividades, mas não detalhou os motivos da decisão. Informou ainda que Zettel já havia sido afastado das funções pastorais desde novembro de 2025. Apesar disso, seu nome ainda consta como presidente no quadro de sócios e administradores da instituição, cujo CNPJ permanece ativo.
Fabiano Campos Zettel voltou a ser preso no dia 4 de março, durante a Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras de grande escala. Ele já havia sido detido anteriormente em janeiro, no Aeroporto Internacional de São Paulo, quando tentava embarcar para Dubai, mas acabou liberado na ocasião.
Além da atuação religiosa, Zettel é empresário e fundador de um fundo de investimentos, com participação em diferentes empresas. Investigações apontam que ele teria movimentado valores expressivos nos meses que antecederam a operação, o que levantou suspeitas sobre a origem dos recursos.
A ligação com Daniel Vorcaro, que também foi preso na mesma operação, ampliou a repercussão do caso. Zettel é casado com Natália Vorcaro, irmã do empresário, o que conecta diretamente os dois nomes centrais da investigação.
O empresário também teve participação no cenário político recente, figurando como um dos principais doadores de campanhas nas eleições de 2022, com contribuições milionárias destinadas a nomes de destaque nacional.
O encerramento da unidade da Lagoinha em Belo Horizonte ocorre em meio a esse contexto de investigações e levanta questionamentos sobre os impactos institucionais do caso. Até o momento, a igreja não informou se haverá reabertura da unidade ou mudanças na administração local.
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