O Sistema Único de Saúde (SUS) pode passar a contar com um programa estruturado de rastreamento do câncer colorretal, um dos tipos mais comuns e letais no Brasil. A proposta já conta com parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e deve passar por consulta pública antes da decisão final do Ministério da Saúde.
A diretriz, elaborada por especialistas, propõe que pessoas entre 50 e 75 anos, sem fatores de risco ou sintomas, realizem a cada dois anos um teste imunoquímico capaz de identificar sangue oculto nas fezes. Caso o resultado seja positivo, o paciente será encaminhado para colonoscopia, exame que permite investigar a causa do sangramento e iniciar o tratamento adequado.
O objetivo da estratégia é ampliar o diagnóstico precoce, identificando tanto o câncer em estágios iniciais quanto lesões pré-cancerígenas, que podem ser tratadas antes de evoluírem para a doença. Esse é um dos principais diferenciais do rastreamento do câncer colorretal em relação a outros tipos de câncer, já que permite não apenas detectar, mas também prevenir casos futuros.
Apesar da eficácia comprovada desses exames, especialistas apontam que a adesão ainda é baixa no Brasil, tanto na rede pública quanto na privada. Segundo o epidemiologista Arn Migowski, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a implementação de um programa organizado pode reduzir significativamente a mortalidade e até diminuir o número de novos casos ao longo do tempo.
Atualmente, muitos diagnósticos ainda ocorrem em estágios avançados, o que compromete as chances de cura. Estudos indicam que, se não houver mudanças, as mortes por câncer colorretal podem crescer de forma expressiva nos próximos anos.
A proposta em análise prevê uma implementação gradual no SUS, começando por regiões específicas e sendo ampliada progressivamente. A estratégia busca garantir que o sistema consiga absorver a nova demanda sem comprometer o atendimento de pacientes que já apresentam sintomas e precisam de assistência imediata.
Além disso, o modelo inclui o acompanhamento contínuo dos pacientes, com convocação para exames, entrega de resultados e encaminhamento para tratamento quando necessário, exigindo planejamento integrado dentro da rede de saúde.
Importância do diagnóstico precoce
O câncer colorretal costuma evoluir de forma silenciosa, sem sintomas nas fases iniciais. Por isso, o rastreamento é considerado fundamental. O exame de sangue oculto nas fezes consegue identificar sinais invisíveis a olho nu, enquanto a colonoscopia permite visualizar diretamente o intestino e remover pólipos, que são lesões pré-cancerígenas.
Entre os sinais de alerta em estágios mais avançados estão anemia, cansaço, perda de peso, dor abdominal, alterações no funcionamento intestinal e fezes mais estreitas. Nesses casos, a recomendação é buscar avaliação médica o quanto antes.
A discussão sobre o tema ganha ainda mais relevância durante o Março Azul, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer colorretal e à importância da prevenção.
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