O Senado Federal iniciou uma investigação interna para apurar o vazamento de informações sigilosas relacionadas ao celular do banqueiro Daniel Vorcaro, que estavam sob análise da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
A suspeita, segundo o presidente da comissão, Carlos Viana, é de que tenha ocorrido acesso indevido à chamada “sala cofre” — ambiente de segurança máxima destinado à consulta de dados sensíveis — possivelmente com o uso de um dispositivo de gravação oculto.
Suspeitas e inconsistências
O caso ganhou força após a Polícia Federal identificar inconsistências no tratamento das informações. De acordo com a corporação, os dados apreendidos haviam passado por um processo de filtragem, com exclusão de conteúdos pessoais, antes de serem enviados ao Senado em versão segura.
No entanto, durante a análise, foi detectado que informações sensíveis voltaram a aparecer no sistema da Casa, levantando dúvidas sobre a integridade do material e os protocolos adotados.
A PF avalia que o problema pode estar relacionado ao procedimento adotado pela CPMI ao solicitar diretamente à Apple dados armazenados em nuvem, em vez de requisitá-los por meio do Supremo Tribunal Federal. Essa ação teria possibilitado a reinserção de conteúdos que não estavam autorizados para análise.
Reação da CPMI
A interpretação da Polícia Federal foi contestada por Carlos Viana, que defendeu a legalidade das ações da comissão. Segundo o senador, a CPMI possui prerrogativas constitucionais amplas para requisitar documentos e conduzir investigações.
Durante sessão realizada nesta quinta-feira (19), o parlamentar leu um manifesto no qual classificou como precipitada a avaliação da PF e criticou o que considera interferência do Judiciário nas atribuições do Legislativo.
“Continuaremos exercendo nosso papel conforme previsto na Constituição”, afirmou.
Próximos passos
A investigação interna do Senado busca agora esclarecer como ocorreu o possível vazamento, se houve falhas nos protocolos de segurança e quem pode ter tido acesso indevido às informações.
O caso adiciona mais um capítulo às tensões entre instituições e levanta questionamentos sobre o controle e a proteção de dados sensíveis em investigações parlamentares.
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