O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, promoveu uma mudança em sua equipe de defesa no mesmo dia em que a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter sua prisão preventiva. A troca de advogados chamou atenção no meio jurídico e levantou especulações sobre uma possível negociação para acordo de colaboração premiada.
Deixaram a defesa os advogados Pierpaolo Bottini e Roberto Podval. Para assumir o caso foi contratado o criminalista José Luís de Oliveira Lima, conhecido no meio jurídico como “Juca”. O advogado Sérgio Leonardo continua integrando o time responsável pela representação de Vorcaro.
Segundo informações divulgadas pela equipe que deixou o caso, a transferência da defesa foi formalizada por Bottini, que alegou motivos pessoais para se afastar do processo.
José Luís de Oliveira Lima tem ampla experiência em processos de grande repercussão nacional. O advogado ficou conhecido por atuar na defesa do ex-ministro José Dirceu durante o julgamento do mensalão e também representou o general Walter Braga Netto em investigações recentes.
Além disso, o criminalista participou de negociações relacionadas a acordos de colaboração premiada durante a Operação Lava Jato. Entre os casos mais conhecidos está a delação do empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS.
Decisão do STF mantém prisão
A mudança na equipe jurídica ocorreu no mesmo dia em que três ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal votaram pela manutenção da prisão preventiva do banqueiro.
Os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques se manifestaram favoravelmente à continuidade da detenção durante julgamento realizado no plenário virtual da Corte. O ministro Gilmar Mendes ainda não apresentou voto.
Atualmente, Vorcaro está custodiado na Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima onde permanece em regime de isolamento. Nesse tipo de estabelecimento, o contato com outros detentos é bastante restrito, e a comunicação com o exterior ocorre basicamente por meio de seus advogados.
Investigações seguem em andamento
No voto apresentado ao Supremo, o relator do caso, ministro André Mendonça, destacou que as investigações envolvendo o Banco Master ainda estão em andamento e podem trazer novos elementos relevantes para o processo.
Entre os pontos mencionados está a análise de oito aparelhos celulares que teriam sido utilizados pelo banqueiro. Até o momento, apenas um dos dispositivos passou por perícia.
As apurações conduzidas pela Polícia Federal também indicam a possível existência de uma estrutura organizada que teria sido utilizada para intimidar pessoas consideradas adversárias de Vorcaro. Segundo o relator, há indícios de que o banqueiro teria dado ordens diretas a integrantes desse grupo.
Com a investigação ainda em curso e novas provas sendo analisadas, o caso segue em acompanhamento pela Justiça e pode ter novos desdobramentos nos próximos meses.
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