Novos exames realizados após a exumação do corpo da policial militar Gisele Alves Santana trouxeram detalhes que aprofundam a investigação sobre sua morte, ocorrida em fevereiro no apartamento que dividia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, em Suzano, na Grande São Paulo.
Durante a análise, peritos identificaram marcas no pescoço e em outras partes do corpo, motivando a realização de exames complementares para verificar se houve algum tipo de compressão antes do disparo fatal.
O Instituto Médico-Legal (IML) Central realizou no sábado (7) exames de imagem, incluindo tomografia, para esclarecer se a lesão na região cervical teve relação com o momento da morte.
Gisele, de 32 anos, foi encontrada com um disparo na cabeça no dia 18 de fevereiro, inicialmente registrado como suicídio, mas que passou a ser investigado como morte suspeita. Além da marca no pescoço, socorristas relataram uma área arroxeada na mandíbula da vítima, cuja causa ainda precisa ser confirmada pelos laudos.
A investigação também analisa divergências quanto ao horário do ocorrido: uma vizinha relatou ter ouvido um estampido às 7h28, cerca de 30 minutos antes da primeira ligação do tenente-coronel aos serviços de emergência, registrada às 7h57, e outra chamada feita às 8h05, quando informou que a vítima ainda respirava.
Equipes de socorro chegaram ao local às 8h13.
Elementos atípicos na cena chamaram atenção das equipes, como a posição da arma, ausência de cartucho, além do fato de Neto ter sido encontrado seco, sem sinais de água no chão, embora afirmasse que estava tomando banho ao ouvir o disparo. O comportamento calmo do oficial também gerou questionamentos.
Outro ponto em análise é a presença do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que esteve no prédio na manhã da morte e subiu ao apartamento acompanhado de Neto.
Ele retornou ao corredor às 9h18, enquanto o tenente-coronel deixou o imóvel cerca de 11 minutos depois, já com outra roupa e odor de produto químico, segundo relatos.
Laudos preliminares indicaram que o local não foi preservado adequadamente, dificultando a identificação de quem efetuou o disparo. Os resultados dos exames complementares feitos após a exumação são aguardados para esclarecer as circunstâncias da morte de Gisele Santana.
Em nota, a defesa do tenente-coronel Neto reforçou que ele não é investigado, suspeito ou indiciado e tem colaborado integralmente com as autoridades. A defesa do desembargador Cogan afirmou que ele esteve no local como amigo do oficial e prestará os esclarecimentos necessários. O caso segue sendo apurado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar.
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