Novos elementos da investigação da Operação Compliance Zero trouxeram à tona mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro que mencionam um pagamento a alguém chamado “Ciro” e diálogos com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Procurado pela reportagem, o parlamentar negou qualquer relação próxima com Vorcaro e afirmou não ter recebido valores.
“Inferir que se refere a mim, senador Ciro Nogueira, é definitivamente uma mentira fabricada na tentativa de manchar minha biografia”, declarou o senador. A defesa de Vorcaro ainda não se manifestou sobre as novas descobertas.
A Polícia Federal iniciou a análise para identificar se há indícios de crimes envolvendo o banqueiro e o senador, presidente nacional do PP. As informações foram encaminhadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável pela prisão preventiva de Vorcaro, cumprida em 4 de março.
Até o momento, não há investigação formal instaurada contra Nogueira.
Fontes próximas indicam que o senador manteve contato com Vorcaro em Brasília e foi ouvido antes de decisões envolvendo a venda do Banco Master ao BRB, então governado por Ibaneis Rocha (MDB).
Mensagens de Vorcaro descrevem Nogueira como “grande amigo de vida” e comemoram uma emenda apresentada pelo senador em agosto de 2024, que aumentava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, considerada vantajosa ao Master.
Em maio de 2024, Vorcaro autorizou pagamentos a um “Ciro” por meio de seu cunhado, Fabiano Zettel, operador financeiro. A PF ainda não confirmou se o destinatário era o senador ou outra pessoa com o mesmo nome.
Conversas de Vorcaro com o deputado Fausto Pinato (PP-SP) também mencionam “Ciro”, mas o parlamentar não respondeu aos questionamentos.
Ciro Nogueira é o terceiro político citado na investigação, que teve início em novembro. Antes dele, surgiram referências ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) e ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, ligadas a operações do Banco Master.
O senador reforçou que a citação ocorreu apenas pelo primeiro nome, sem sobrenome ou cargo, e destacou que existem mais de 11 mil pessoas chamadas “Ciro” no Brasil.
“Estou absolutamente tranquilo quanto aos resultados das investigações da Polícia Federal, uma vez que, reafirmo, não tenho envolvimento algum com as denúncias relacionadas ao empresário”, afirmou.
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