A inteligência artificial está prestes a provocar mudanças profundas no mercado cultural global, segundo relatório da Unesco. O estudo Re|thinking Policies for Creativity aponta que a expansão da produção automatizada pode reduzir receitas de criadores de música e do setor audiovisual em até 24% e 21%, respectivamente, até 2028.
O levantamento, que analisou dados de mais de 120 países, alerta não apenas para impactos econômicos, mas também para riscos à liberdade artística, financiamento público da cultura e precarização do trabalho criativo.
Atualmente, as receitas digitais representam 35% do rendimento dos criadores, um salto significativo em relação aos 17% de 2018.
Segundo Khaled El-Enany, diretor-geral da Unesco, o avanço da IA exige revisão das políticas públicas e fortalecimento de mecanismos de apoio a artistas, sobretudo em países em desenvolvimento, que enfrentam desigualdade no acesso a competências digitais e oportunidades internacionais.
O relatório também destaca a concentração de mercado em plataformas de streaming, dificultando a visibilidade de artistas independentes, além de assimetrias na mobilidade artística global.
Apesar de avanços na liderança feminina em instituições culturais, com crescimento de 31% para 46% entre 2017 e 2024, persistem disparidades significativas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.
A Unesco reforça que o desafio será equilibrar inovação tecnológica com proteção da diversidade cultural, assegurando que a transformação digital não amplie desigualdades e que os criadores mantenham condições justas de trabalho e circulação no mercado global.
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