O deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) confirmou nesta quinta-feira (19) que pretende disputar a vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo ele, cerca de 80 parlamentares já manifestaram apoio à sua candidatura.
A decisão acrescenta um novo elemento a uma disputa que vinha sendo tratada como delicada nos bastidores da Câmara. A vaga é considerada estratégica e pode colocar em xeque um entendimento político firmado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o Partido dos Trabalhadores (PT).
De acordo com Lopes, a candidatura foi definida após conversas com lideranças políticas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado afirma que a decisão tem como foco o fortalecimento dos órgãos de controle e a fiscalização dos recursos públicos.
Disputa pode fragmentar votos
Antes da entrada de Lopes, três nomes já estavam no páreo. O PT indicou Odair Cunha (MG) como candidato. Pelo bloco do Centrão, aparecem Hugo Leal (PSD-RJ) e Danilo Forte (União-CE).
A eleição é realizada no plenário da Câmara, por voto secreto, e vence quem obtiver maioria simples. Não há segundo turno. Por isso, a multiplicidade de candidaturas pode dividir apoios e influenciar diretamente o resultado final.
Nos bastidores, há tentativas de construir um consenso para evitar dispersão de votos. A avaliação de alguns parlamentares é que, se os concorrentes ao candidato petista não chegarem a um acordo, o cenário pode favorecer o nome indicado pelo PT.
Acordo político em jogo
Quando ainda articulava sua candidatura à presidência da Câmara, Hugo Motta teria sinalizado ao PT que apoiaria a indicação do partido ao TCU em troca de respaldo político. O acordo, no entanto, é contestado por integrantes de outras bancadas, que afirmam não terem participado das tratativas.
A expectativa é que o calendário oficial da disputa seja anunciado após o Carnaval, com possibilidade de votação já em março.
Histórico das eleições ao TCU
Em disputas anteriores, candidatos apoiados pelo PT enfrentaram dificuldades. Em diferentes eleições para o TCU, nomes ligados ao partido acabaram derrotados por adversários com articulações mais amplas no Congresso.
Na última eleição, realizada em 2023, Jhonatan de Jesus foi eleito ministro do tribunal após obter ampla maioria no plenário. Na ocasião, o governo federal não apresentou candidato próprio.
O Tribunal de Contas da União é composto por nove ministros. Seis são escolhidos pelo Congresso Nacional e três indicados pelo Poder Executivo. Entre as atribuições da Corte estão a análise das contas do presidente da República, auditorias em órgãos federais e fiscalização da aplicação de recursos públicos.
Com a entrada de Hélio Lopes na disputa, o cenário permanece indefinido e deve intensificar as negociações políticas nas próximas semanas.
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