Uma pesquisa publicada nesta segunda-feira (16) na revista Nature Communications indica que a resistência à insulina — alteração metabólica conhecida por aumentar o risco de diabetes — também pode estar associada ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer, mesmo em pessoas que não têm a doença.
A insulina é o hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue. Quando o organismo deixa de responder adequadamente a ela, o corpo passa a produzir quantidades maiores para compensar. Esse processo caracteriza a resistência à insulina, condição já ligada a doenças cardiovasculares, renais e hepáticas.
O novo estudo acompanhou cerca de 370 mil pessoas e utilizou um modelo de inteligência artificial chamado AI-IR para estimar a resistência à insulina a partir de dados simples de exames de rotina, como idade, índice de massa corporal e glicose em jejum. Durante o acompanhamento, foram registrados mais de 51 mil casos de câncer.
No conjunto geral, a alteração metabólica não elevou o risco global da doença. Porém, quando os tumores foram analisados individualmente, surgiu associação com seis tipos específicos: câncer de útero, rim, esôfago, pâncreas, cólon e mama. Em alguns casos, como o de útero, o risco observado chegou a mais que dobrar.
Os pesquisadores explicam que níveis elevados de insulina podem estimular o crescimento celular e favorecer processos inflamatórios e hormonais relacionados ao surgimento de tumores. Ainda assim, ressaltam que a pesquisa aponta uma associação estatística, e não uma relação direta de causa e efeito.
Na prática, os resultados reforçam a importância da saúde metabólica. Manter peso adequado, praticar atividade física e acompanhar exames de glicose não apenas ajudam a prevenir diabetes, mas podem também reduzir o risco de certos cânceres.
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