Uma pesquisa conduzida pela Universidade da Califórnia, Los Angeles trouxe descobertas que podem transformar o entendimento sobre a formação de cálculos renais, especialmente os de oxalato de cálcio, o tipo mais comum entre pacientes.
Publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, o estudo identificou, pela primeira vez, bactérias incorporadas à estrutura interna desses cálculos, indicando que microrganismos podem desempenhar um papel ativo em sua formação.
De acordo com a Dra. Kymora Scotland, professora assistente de urologia na Escola de Medicina David Geffen da UCLA e coautora sênior da pesquisa, a descoberta desafia a visão tradicional de que os cálculos se formam apenas por processos químicos e físicos.
“As bactérias podem residir nos cálculos e influenciar sua formação, o que abre novas possibilidades para tratamento”, afirmou.
Historicamente considerados “não infecciosos”, os cálculos de oxalato de cálcio foram analisados com microscopia eletrônica e fluorescência, revelando sinais bacterianos mesmo em pacientes sem infecção urinária diagnosticada.
A presença de microrganismos ajuda a explicar a recorrência de cálculos em algumas pessoas, sugerindo que infecções silenciosas nos rins, ureteres ou bexiga podem ser fatores subjacentes.
Normalmente, a formação dos cálculos é associada a altas concentrações de sais e minerais na urina e à ingestão insuficiente de líquidos. Com a identificação de bactérias na composição dos cálculos, especialistas apontam que estratégias preventivas e terapêuticas podem precisar considerar o microbioma urinário e a detecção de infecções ocultas.
Estima-se que uma em cada onze pessoas desenvolva cálculos renais ao longo da vida, reforçando a importância dessa nova abordagem para reduzir recorrências e melhorar a saúde dos rins.
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