O governo dos Estados Unidos anunciou planos para reunir líderes da América Latina em uma cúpula na Flórida, prevista para 7 de março, em um movimento estratégico para reafirmar a influência americana na região, segundo reportagem da Associated Press publicada na quinta-feira (12).
A iniciativa surge em meio a preocupações de Washington sobre o crescente papel econômico e político da China no hemisfério ocidental, embora Pequim ressalte que suas relações com países latino-americanos se baseiam na igualdade e respeito mútuo.
O encontro ainda não foi oficialmente divulgado, mas um funcionário da Casa Branca confirmou os planos à imprensa. A cúpula acontecerá algumas semanas antes da viagem de Donald Trump a Pequim, onde se reunirá com o presidente chinês Xi Jinping em negociações bilaterais.
A administração Trump tem priorizado a consolidação da primazia americana na região, promovendo reuniões recentes em Washington com chefes de Defesa e comandantes militares de 34 países do hemisfério. Em discurso diante deles, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, destacou que o objetivo é “alcançar uma paz permanente neste hemisfério”.
Tensões sobre áreas estratégicas
Em suas declarações, Trump mencionou o Canal do Panamá como “vital” para os EUA, sugerindo erroneamente que o controle do canal estaria sob domínio chinês, embora ele pertença ao Panamá desde 1999. A postura de Washington também se estendeu ao Peru, após decisão judicial que limitou a supervisão do país sobre o porto de águas profundas de Chancay, construído e operado por investidores chineses.
O Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado afirmou estar preocupado com a perda de controle sobre infraestruturas críticas, destacando que “o dinheiro chinês barato custa soberania” e reiterando apoio ao direito soberano peruano de supervisionar tais ativos.
Diálogo com a China
Apesar das tensões, Trump manteve tom positivo sobre as relações com a China, anunciando visita ao país em abril para encontros com Xi Jinping, que planeja visitar os Estados Unidos ainda este ano. “Nossa relação com a China é muito boa neste momento”, afirmou o presidente americano, sinalizando disposição para manter o diálogo diplomático mesmo diante das divergências sobre influência regional.
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