O consumo de solventes por crianças e adolescentes em situação de rua voltou ao debate público após novos relatos registrados na região central do Rio de Janeiro. Áreas como a Cinelândia aparecem com frequência nas reportagens, mostrando menores inalando produtos como tíner — substância de uso industrial, mas de fácil acesso no comércio.
De acordo com as informações divulgadas, parte desses jovens circula entre o Centro da capital e municípios da Baixada Fluminense. Muitos vivem em contextos de extrema vulnerabilidade, marcados por pobreza, rompimento de vínculos familiares e exposição constante à violência urbana.
Especialistas lembram que a venda de solventes para menores é proibida no estado, mas a fiscalização enfrenta dificuldades práticas. Além dos riscos imediatos, como intoxicações graves, danos neurológicos e possibilidade de morte súbita, há preocupação com o aliciamento desses adolescentes por adultos que exploram sua fragilidade social para envolvê-los em pequenos delitos.
O fenômeno não é recente. Pesquisas nacionais sobre o uso de drogas por crianças em situação de rua já apontavam os inalantes entre as substâncias mais consumidas.
Estudos desenvolvidos por instituições como a Universidade de São Paulo indicam que o uso frequente de solventes pode comprometer o desenvolvimento cognitivo, afetar o sistema nervoso central e aprofundar processos de exclusão social.
Embora não esteja diariamente nas manchetes, episódios pontuais mostram que o problema persiste em áreas estratégicas da cidade. Profissionais da saúde e organizações da sociedade civil defendem ações integradas, combinando assistência social, abordagem especializada nas ruas, tratamento para dependência química e fortalecimento dos vínculos familiares.
Mais do que um caso isolado, o uso de solventes por crianças expõe desafios estruturais relacionados à desigualdade social e à proteção da infância, exigindo respostas articuladas entre poder público e sociedade.
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