O Cordão do Boitatá levou milhares de foliões ao Centro do Rio neste domingo (8) com um desfile marcado pela força do coletivo, pela música ao vivo e pela ausência de trio elétrico. No ano em que completa 30 anos de história, o bloco passou a integrar oficialmente a lista de megablocos da cidade e desfilou pelo Circuito Preta Gil, ocupando novamente a Avenida Primeiro de Março e seu entorno.
Com cerca de 250 músicos e quase 400 integrantes, o Boitatá manteve sua essência ao apostar no cortejo a pé, acompanhado de pernaltas, estandartes, baianas e personagens simbólicos do Carnaval de rua. O público cantou junto durante todo o trajeto, reforçando o clima de celebração coletiva que marca a trajetória do bloco.
O repertório percorreu sambas, marchinhas, afoxés e frevos, além de arranjos originais de compositores como Moacir Santos, Villa-Lobos, Pixinguinha, Maestro Duda e Braguinha. A apresentação também contou com composições criadas especialmente para a orquestra do Boitatá, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio de Janeiro.
Um dos momentos mais emocionantes do desfile ocorreu quando o boneco gigante de Pixinguinha se voltou para a ala de pernaltas, que estendeu uma faixa em homenagem à cantora Preta Gil, falecida em 2025 e que dá nome ao circuito de megablocos da cidade. Ao som de “Sinais de Fogo”, foliões se emocionaram e entoaram o nome da artista, filha de Gilberto Gil e figura marcante da música brasileira.
Para Kiko Horta, um dos fundadores do bloco, o retorno à região da Praça XV representa um reconhecimento simbólico da importância do Boitatá para o Carnaval carioca. Segundo ele, o bloco já reunia público e estrutura de megabloco há anos, e a oficialização apenas confirma essa trajetória.
A presença da ala de pernaltas douradas também chamou atenção. Liderada pela artista e produtora cultural Raquel Poti, a ala completa 11 anos em 2026 e simboliza valores como respeito à rua, cuidado coletivo e convivência harmoniosa durante a festa.
Entre os foliões estava a carioca Luana Schellenberg, de 33 anos, que chegou cedo para acompanhar o cortejo de perto. Grávida, ela afirmou ter escolhido o Boitatá por representar o Carnaval em que acredita, marcado pela música, pela arte e pela ocupação consciente do espaço público.
Além do Boitatá, o domingo foi marcado por outros desfiles no Centro do Rio. O bloco Fogo e Paixão realizou seu 16º desfile no Largo de São Francisco de Paula com o tema “Carnovelas”, homenageando personagens icônicos da teledramaturgia brasileira. Fantasias inspiradas em figuras como Viúva Porcina, Nazaré e Tieta tomaram conta do cortejo, que contou ainda com a participação especial da cantora Rosana.
Já na Glória, o Chora Me Liga reuniu fãs do sertanejo e da chamada “sofrência”. Em 2026, o bloco celebrou o retorno a um formato mais próximo do público, reforçando a identidade que o consagrou no Carnaval de rua. Participações especiais e clima de reencontro marcaram o desfile.
O domingo também foi de despedida para o tradicional Suvaco do Cristo, que encerrou sua trajetória após quatro décadas de história. O último desfile reuniu sambas emblemáticos do bloco e homenageou figuras fundamentais de sua trajetória, reforçando o legado deixado para o Carnaval de rua carioca.
Outros blocos espalharam a folia pela cidade ao longo do dia, como Gigantes da Lira, Empolga às 9 e Banda da Barra, reafirmando a diversidade e a força do Carnaval de rua do Rio. A programação segue até o dia 22 de fevereiro e pode ser consultada no aplicativo Blocos do Rio 2026 e no site oficial do Carnaval de Rua.
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