O setor de transporte de cargas recebeu um impulso significativo com o programa Move Brasil, que liberou cerca de R$ 2 bilhões em financiamentos para a renovação da frota de caminhões no primeiro mês de operação.
A informação foi divulgada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante evento em Guarulhos (SP), neste domingo (8).
O programa foi criado para substituir veículos antigos e estimular o ritmo de vendas do setor, que registrou queda de 9,2% em 2025, enquanto os modelos pesados tiveram retração de 20,5%. Dados da Anfavea indicam que o mercado de caminhões começou 2026 com queda de 34,67% em relação a janeiro de 2024.
Alckmin explicou que a alta taxa de juros vinha limitando o setor. “O país tem recorde de safra, crescimento das exportações e forte corrente de comércio, mas a compra de caminhões dependia de financiamento, que estava muito caro. Com a taxa reduzida pelo programa, já tivemos resposta positiva, com quase R$ 2 bilhões liberados neste começo”, afirmou.
Empresários comemoram a iniciativa. Orlando Boaventura, dono de uma transportadora em Santa Isabel (SP), relatou que adquiriu o 29º caminhão com crédito do Move Brasil e planeja contratar mais cinco funcionários ainda neste ano. “Um modelo novo consome até R$ 200 a menos em combustível em viagens longas. A taxa está dentro do padrão e esse é o melhor momento para renovar a frota”, explicou.
O programa também recebe apoio de sindicatos e da indústria. Wellington Damasceno, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, destacou que a iniciativa ajuda a preservar empregos e promove uma logística mais sustentável.
Já o CEO da Scania, Christopher Polgorski, lembrou que cada emprego na produção direta gera impacto para seis empregos indiretos, reforçando a importância do programa para toda a cadeia produtiva.
O Move Brasil oferece crédito para compra de caminhões novos e seminovos fabricados a partir de 2012, com condições especiais para veículos antigos entregues para desmonte.
Em janeiro, foram beneficiados caminhoneiros autônomos, cooperados e transportadoras de 532 municípios, com 1.152 operações concluídas e valor médio de R$ 1,1 milhão por financiamento.
O teto total do programa é de R$ 10 bilhões, combinando recursos do Tesouro Nacional e do BNDES, sendo R$ 1 bilhão destinado a caminhoneiros autônomos e cooperados. As taxas de juros variam entre 13% e 14% ao ano, com prazo máximo de financiamento de cinco anos e carência de até seis meses.
Todas as operações contam com cobertura do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), garantindo até 80% do valor financiado.
Segundo Alckmin, o programa seguirá em vigor até o esgotamento dos recursos, sem prazo definido para conclusão. “O período pode variar de dois a seis meses ou mais, até que o recurso se esgote. Depois disso, avaliaremos os próximos passos”, afirmou.
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