A depressão costuma ser associada apenas aos humanos, mas cães e gatos também podem apresentar quadros compatíveis com o transtorno. Como não se comunicam por palavras, os animais acabam demonstrando o sofrimento por meio de mudanças sutis — e persistentes — de comportamento, que muitas vezes passam despercebidas pelos tutores.
A médica-veterinária Paola Francini, docente na área de medicina veterinária, explica que a principal diferença entre um período de tristeza e um quadro depressivo está na duração e na intensidade dos sintomas. Assim como ocorre com pessoas, episódios pontuais de desânimo são comuns e tendem a se resolver espontaneamente.
“Cães e gatos podem ficar abatidos por alguns dias após mudanças simples, como um passeio cancelado, dias de chuva ou alterações leves na rotina. Isso é esperado. O problema começa quando esse comportamento se prolonga por semanas, se intensifica e interfere na alimentação, no sono e na interação”, esclarece.
Entre os sinais mais frequentes de depressão em pets estão:
Apatia persistente
Perda de interesse por brincadeiras e estímulos
Isolamento ou comportamento de se esconder
Alterações no apetite
Sono excessivo ou desregulado
Redução da interação com o tutor

Segundo a especialista, esses sinais não costumam surgir de forma isolada. “Animais deprimidos apresentam mudanças claras e contínuas na forma como se comportam, se relacionam e até cuidam de si mesmos”, observa.
Diversos fatores podem desencadear o quadro. Mudanças de casa, alteração brusca na rotina, ausência prolongada do tutor, perda de outro animal da família, solidão, falta de estímulos físicos e mentais e até doenças orgânicas estão entre as causas mais comuns.
Os sintomas também variam conforme a espécie. Em cães, é mais comum a redução do interesse por passeios, brincadeiras e contato social. Já os gatos tendem a se esconder com mais frequência, comer menos e apresentar mudanças nos hábitos de higiene ou no uso da caixa de areia.
A orientação é procurar um veterinário sempre que os sinais persistirem ou se agravarem. O tratamento pode envolver avaliação clínica completa, ajustes na rotina, enriquecimento ambiental, acompanhamento comportamental e, em casos específicos, o uso de medicação prescrita.
Identificar precocemente os sinais faz diferença no prognóstico. Com cuidado, estímulo adequado e acompanhamento profissional, a qualidade de vida do animal pode ser restaurada.
*Da Agência Fonte Exclusiva












