Um desabamento ocorrido na madrugada desta segunda-feira (2), na avenida Presidente Castelo Branco, próximo ao estádio do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, resultou na morte de uma mulher de 40 anos e mobilizou uma grande operação do Corpo de Bombeiros.
Entre as vítimas estava uma menina de 7 anos, resgatada com vida após permanecer soterrada por mais de cinco horas.
A criança, identificada como Valentina, foi retirada consciente dos escombros e encaminhada inicialmente ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. Em seguida, ela foi transferida para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro da cidade.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o estado de saúde da menina é estável. Durante todo o período em que esteve presa sob os destroços, Valentina manteve-se consciente e chegou a pedir ajuda às equipes de resgate.
A mãe da criança, Michele Martins, de 40 anos, também ficou soterrada pelo mesmo período e chegou a conversar com os bombeiros durante a operação. No entanto, ela não resistiu e foi retirada dos escombros já sem vida.
Além de mãe e filha, outras oito pessoas ficaram feridas, todas com lesões leves. Elas receberam atendimento no local, e uma adolescente de 14 anos chegou a ser encaminhada ao Hospital Salgado Filho, mas já recebeu alta médica.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o desabamento aconteceu por volta de 1h da madrugada, e o chamado de emergência foi registrado às 1h33. Testemunhas relataram ter ouvido um forte estrondo quando o prédio, de quatro andares, veio abaixo.
Mais de 50 bombeiros e sete unidades operacionais atuaram no resgate, em um cenário considerado de alto risco devido à instabilidade da área.
O subcomandante do Corpo de Bombeiros, coronel Luciano Sarmento, afirmou que a operação foi extremamente complexa, já que as construções eram precárias e sofreram colapso total.
Algumas pessoas conseguiram sair por conta própria antes da chegada das equipes. Duas crianças, incluindo Valentina, foram retiradas com vida após um trabalho minucioso de busca.
O desabamento ocorreu após uma noite marcada por fortes chuvas na capital fluminense. Houve registros de ventos intensos, alagamentos e quedas de árvores em diferentes regiões da cidade.
No domingo à noite, a prefeitura colocou o Rio em estágio 2 de alerta, em uma escala que vai até cinco, e a Defesa Civil enviou mensagens de emergência recomendando que a população procurasse locais seguros. O alerta foi encerrado apenas na manhã desta segunda-feira.
Equipes da Defesa Civil estiveram no local e realizaram uma vistoria preliminar. Segundo o subsecretário Rodrigo Gonçalves, quatro imóveis vizinhos foram interditados por risco de novos desabamentos.
Ele afirmou que o prédio que desmoronou aparentava ter sido construído sem acompanhamento técnico adequado, sem engenheiros ou arquitetos responsáveis, além de apresentar sinais de falta de manutenção.
Morador do imóvel, o produtor Tácio do Simões Ventura, de 30 anos, relatou que recebeu um alerta da Defesa Civil no celular pouco antes do desabamento. Segundo ele, ao ouvir estalos na estrutura, passou a avisar os vizinhos para deixarem o local.
Ele conseguiu retirar a própria mãe, mas contou que Valentina se assustou e voltou para dentro da casa momentos antes do colapso total.
As causas do desabamento ainda serão investigadas. A área permanece isolada, e as autoridades seguem monitorando o local para evitar novos riscos.
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