Após garantir uma vaga no curso de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) pelo sistema de cotas, a estudante Eduarda Odara, mulher negra e trans, denunciou nas redes sociais ter sido alvo de ataques transfóbicos e comentários discriminatórios.
“Vai ter trans preta não-binária filha de camelô nesse curso, sim”, afirmou Duda, como também se apresenta, em publicação no X na segunda-feira (26). Ela compartilhou postagens de terceiros, algumas de apoio e outras questionando sua aprovação via cota, mesmo não tendo estudado integralmente em escola pública.
Entre os ataques, houve manifestações de figuras públicas. O deputado estadual Bruno Souza (PL-SC) se referiu a Duda pelo pronome masculino em vídeo publicado no Facebook, ignorando sua identidade de mulher trans.
Já Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e pré-candidato à presidência, publicou no X um vídeo sobre a vaga conquistada por Duda com a legenda: “Vou acabar com todas as cotas”, sugerindo que estudantes aprovados pelo sistema seriam “profissionais retardados”.
Em comentários no Instagram, usuários questionaram a conquista de Duda, dizendo frases como: “Tirando vaga de quem merecia” e “Já sei com quem não procurar ajuda médica”.
A Uerj, por meio da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), emitiu nota repudiando “quaisquer atos de ódio, discriminação, racismo, transfobia e ataques às políticas de inclusão dirigidos a integrantes da comunidade acadêmica”.
A universidade classificou os ataques como “inaceitáveis” e ressaltou que refletem desconhecimento ou negação das desigualdades sociais, econômicas e educacionais historicamente presentes no Brasil.
O texto reforça que as cotas são “legítimas, legais e plenamente reconhecidas institucionalmente”, com o objetivo de reduzir desigualdades estruturais e garantir acesso mais justo ao ensino superior.
A Uerj afirmou ainda que o sistema de cotas não pode ser usado para questionar a dignidade, capacidade ou pertencimento acadêmico de qualquer estudante.
Por fim, a instituição prestou solidariedade a Duda e destacou que oferecerá apoio psicossocial durante sua entrada na universidade.
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