Seis das sete economias que integram o Grupo dos Sete já acumulam níveis de dívida pública equivalentes ou superiores à própria produção econômica anual. O cenário, considerado inédito na história econômica moderna, tem gerado alertas entre economistas e líderes financeiros sobre a capacidade dos governos de reagirem a futuras crises globais.
Entre os países mais pressionados está os Estados Unidos, cuja dívida nacional ultrapassou a marca de 38 trilhões de dólares. Segundo relatório divulgado em janeiro pelo Joint Economic Committee, o endividamento cresceu, em média, 8 bilhões de dólares por dia ao longo do último ano.
Os custos com juros também dispararam. Os pagamentos líquidos quase triplicaram desde 2020, passando de 345 bilhões de dólares, e devem superar 1 trilhão de dólares no ano fiscal de 2026. Com isso, o serviço da dívida deve se tornar a segunda maior despesa federal, atrás apenas da Previdência Social.
Alertas nos mercados globais
O tema dominou debates recentes no Fórum Econômico Mundial, em Davos, reunindo ministros da Fazenda e executivos do setor financeiro. Durante o encontro, Ken Griffin, CEO da Citadel, afirmou que a recente turbulência no mercado de títulos do Japão funciona como um alerta para países altamente endividados.
A venda expressiva de títulos japoneses elevou os rendimentos dos papéis de dez anos para 2,2% e dos títulos de trinta anos para 3,66%, reacendendo temores sobre sustentabilidade fiscal. Segundo Griffin, quando a política fiscal perde credibilidade, os mercados reagem de forma rápida e severa.
Preocupações semelhantes foram manifestadas por Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, que classificou o endividamento dos Estados Unidos como insustentável no médio prazo. Ele destacou que o país adiciona cerca de 2 trilhões de dólares por ano à dívida, com projeções que apontam para um total superior a 40 trilhões em breve.
Japão no centro das atenções
A situação japonesa tem atraído atenção especial. O país já apresenta uma dívida equivalente a cerca de 230% do PIB, a maior entre as economias desenvolvidas. A recente dissolução do parlamento pela primeira-ministra Sanae Takaichi, que convocou eleições antecipadas para fevereiro, ampliou a instabilidade nos mercados.
Propostas de suspensão de impostos sobre alimentos, com custo estimado acima de 30 bilhões de dólares por ano, aumentaram as preocupações fiscais. Além disso, o orçamento japonês para 2026 prevê que quase um quarto dos gastos seja financiado por emissão de dívida, enquanto o Banco do Japão começa a se afastar de políticas de juros ultrabaixos.
Espaço fiscal cada vez menor
O crescimento acelerado da dívida reduz a margem de manobra dos governos diante de desafios como envelhecimento populacional, aumento dos gastos com saúde e pressões por maiores investimentos em defesa. Nos Estados Unidos, a proposta do presidente Donald Trump de ampliar significativamente o orçamento militar nos próximos anos pode agravar ainda mais o déficit.
Na Europa, a França já sofreu rebaixamentos recentes de crédito, com projeções indicando que sua dívida pode alcançar 121% do PIB até 2027. Para o economista Kenneth Rogoff, da Universidade Harvard, o problema central é a perda da capacidade de resposta rápida em momentos críticos, algo que historicamente foi essencial para enfrentar guerras, recessões e pandemias.
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