O debate sobre a redução da escala 6×1 voltou a ganhar repercussão neste sábado (24) após o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticar publicamente o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.
Em postagem no X, Boulos acusou Alban de recorrer ao “terrorismo econômico” ao afirmar que os custos da mudança seriam repassados ao consumidor. Segundo o ministro, a reação da CNI segue um padrão histórico de resistência do setor empresarial brasileiro frente a conquistas trabalhistas, como salário mínimo, férias remuneradas e décimo terceiro salário.
“O presidente da CNI resolveu apostar no terrorismo econômico contra o fim da escala 6×1. Disse que, se reduzirmos a escala, o povo é que vai pagar com aumento de preços. É a mesma ameaça que os privilegiados fazem há quase 100 anos contra direitos trabalhistas”, declarou Boulos.
Por sua vez, Ricardo Alban afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo que, pessoalmente, apoia a redução da jornada, mas considera que o país ainda não estaria pronto para a mudança. Alban destacou que o impacto financeiro da medida poderia recair sobre os consumidores e que a CNI prepara um estudo detalhado sobre os efeitos no setor produtivo.
“Eu, particularmente, entendo que a evolução da relação capital-trabalho, da sociedade, do bem-estar é irmos para 5 por 2. Mas não temos condições. Quem vai pagar a conta sabe quem é? É o consumidor de novo. Esse custo vai ser repassado”, afirmou Alban.
O episódio reacende a discussão sobre direitos trabalhistas, produtividade e equilíbrio entre interesses do setor produtivo e bem-estar dos trabalhadores no Brasil, especialmente em um momento de debates sobre modernização da legislação laboral.
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