O incêndio que atingiu o Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 2 de janeiro, resultou em duas mortes e questionamentos sobre os procedimentos de segurança e a manutenção de equipamentos.
Entre as vítimas, Anderson Aguiar do Prado, chefe da brigada interna, perdeu a vida tentando resgatar colegas e clientes. Câmeras de segurança registraram seus últimos esforços, mostrando o combate às chamas e a tentativa de salvar a brigadista Emellynn Silvia Aguiar, que também morreu por asfixia.
O fogo começou por volta das 18h04 na loja Bellart, localizada no subsolo. Imagens mostram Anderson tentando conter as chamas sozinho com a primeira mangueira, enquanto o público ainda circulava pelo local.
Ele continuou atuando mesmo após a chegada de Emellynn, buscando auxiliar outras colegas que ficaram para trás, sendo retirado inconsciente pelos bombeiros cerca de duas horas depois e levado a um hospital, onde não resistiu. Emellynn teve seu corpo encontrado na madrugada seguinte.
Investigações apontam possíveis falhas nos cilindros de oxigênio da brigada. Familiares e colegas relataram que um dos cilindros estava com apenas metade da carga esperada e que algumas máscaras de proteção apresentavam defeitos.
A empresa responsável, CM Couto, afirmou que os equipamentos tinham menos de três anos e operavam dentro das normas, com alerta de segurança ativado quando a carga chegava a 20%.
Outro ponto crítico é a gestão do fluxo de pessoas. Apesar do incêndio, o shopping manteve o estacionamento aberto por cerca de 40 minutos, permitindo a circulação de clientes próximos ao subsolo, onde o fogo começou. A evacuação dos pisos foi feita de forma gradual, com o subsolo liberado em 12 minutos e os demais andares controladamente.
A administração do Shopping Tijuca declarou que todos os protocolos de emergência foram seguidos e que a brigada utilizou corretamente os sistemas de combate ao fogo disponíveis até a chegada dos bombeiros. A perícia apontou que o incêndio afetou principalmente o subsolo e parte do primeiro piso, enquanto os demais andares foram evacuados com segurança.
A 19ª DP (Tijuca) segue investigando as causas do incêndio, ouvindo representantes da CM Couto, do shopping e os brigadistas envolvidos. O episódio evidencia a necessidade de revisão de protocolos, treinamento contínuo e equipamentos adequados em centros comerciais, além de destacar a coragem de profissionais que arriscam suas vidas para proteger outros.
*Compartilhe este artigo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












