A indústria global de tecnologia enfrenta uma escassez significativa de chips de memória que já começa a se refletir no preço dos smartphones. Fabricantes e analistas estimam reajustes que variam entre 10% e 25% em diferentes mercados, em meio ao redirecionamento da produção para atender à expansão acelerada da infraestrutura de inteligência artificial.
O tema ganhou destaque durante a CES 2026, onde executivos alertaram que o cenário deve permanecer pressionado ao menos até meados do ano. Atualmente, os chips de memória respondem por mais de 20% do custo total de fabricação de um smartphone, proporção superior à registrada nos últimos anos.
Dados da empresa de pesquisa Omdia indicam que os preços da DRAM móvel tiveram alta superior a 70% em comparação ao início de 2025. Já a memória NAND flash utilizada em smartphones registrou aumento aproximado de 100% no mesmo período. O impacto já é sentido em outros segmentos, como o de computadores corporativos, com reajustes expressivos em laptops.
Executivos da Samsung Electronics reconheceram que a pressão sobre os custos tende a chegar ao consumidor final. Roh Tae-moon, presidente da empresa, afirmou que o aumento no preço da memória é atualmente a principal preocupação da companhia. Segundo ele, o repasse aos produtos é difícil de evitar. Representantes da empresa reforçaram que ajustes de preços estão sendo avaliados, mesmo diante do esforço para minimizar o impacto sobre os clientes.
A avaliação é compartilhada por outros líderes do setor. Akash Palkhiwala, diretor financeiro da Qualcomm, descreveu a escassez como severa e associada aos investimentos bilionários de grandes empresas na construção de data centers. Já Rene Haas, CEO da Arm, classificou o atual gargalo como o mais intenso observado em pelo menos duas décadas.
Segundo projeções da TrendForce, os preços contratuais de DRAM convencional devem subir entre 55% e 60% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior. Para a NAND flash, a expectativa é de alta entre 33% e 38%. A Counterpoint Research também estima novos aumentos ao longo do ano, o que pode elevar os custos de produção em até 10%.
O cenário já afeta o planejamento de grandes lançamentos. Relatórios da mídia sul-coreana apontam que a próxima geração da linha Galaxy, da Samsung, pode chegar ao mercado com preços mais altos. O mesmo risco é observado para o próximo iPhone e para modelos de fabricantes chinesas como Xiaomi, Vivo e Oppo.
O impacto, no entanto, não é uniforme. Smartphones de entrada, com preços abaixo de 200 dólares, registraram aumento de custos de componentes entre 20% e 30%. Já os aparelhos de médio e alto padrão enfrentam pressões mais moderadas, entre 10% e 15%. Diante desse quadro, a Counterpoint revisou sua projeção de vendas globais de smartphones para 2026, passando a prever uma retração de 2,1% nos embarques.
Analistas apontam que a tendência de incorporação de recursos de inteligência artificial nos aparelhos dificulta qualquer redução significativa no uso de memória. Para a TrendForce, trata-se de uma mudança estrutural na indústria, que tende a manter os custos elevados no médio prazo.
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