O Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) emitiu um alerta sobre o aumento de casos de esporotricose animal na capital paulista e em municípios da Região Metropolitana.
A doença, causada por fungos do gênero Sporothrix, afeta principalmente gatos, que podem transmitir o fungo para humanos devido à adaptação da micose à temperatura de seus corpos.
De acordo com Carla Maria Figueiredo de Carvalho, coordenadora técnica médica-veterinária do CRMV-SP, os gatos podem ser infectados por contato com solo contaminado, lascas de madeira, espinhos ou por brigas com outros animais.
As secreções das lesões cutâneas são apontadas como a principal forma de contágio, tornando o contato próximo entre animais e humanos um risco relevante.
A esporotricose está presente em todo o Brasil, com maior incidência nas regiões Sul e Sudeste, afetando tanto animais domésticos quanto selvagens. Em São Paulo, os casos têm crescido de forma preocupante: entre 2022 e 2023, as ocorrências confirmadas de esporotricose animal subiram de 2.417 para 3.309. Atualmente, apenas os casos humanos têm notificação compulsória, válida desde o primeiro semestre de 2025.
Um projeto de lei em tramitação na Assembleia Legislativa (PL nº 707/2025) propõe tornar obrigatória a notificação de casos suspeitos e confirmados tanto em animais quanto em humanos.
Nos humanos, a doença pode se manifestar de poucos dias até três meses após a infecção, inicialmente como nódulo pequeno e indolor que pode evoluir para ferida aberta. Pessoas com imunidade comprometida correm maior risco de complicações graves, que podem atingir órgãos internos como ossos, pulmões e articulações.
O diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para reduzir os riscos.
O CRMV-SP reforça a importância de tratar animais infectados e evitar seu abandono, contribuindo para interromper a cadeia de transmissão. Gatos com sinais suspeitos devem ser avaliados por veterinários e submetidos a exames laboratoriais sempre que possível, garantindo o tratamento adequado.
O aumento dos casos de esporotricose em São Paulo evidencia a necessidade de atenção à saúde pública e ao bem-estar animal, além de reforçar a educação sobre prevenção, cuidados com animais domésticos e medidas de higiene para reduzir o risco de contágio.
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