O chatbot Grok, vinculado à plataforma X, voltou ao centro de uma polêmica após denúncias de que estaria atendendo solicitações de usuários para alterar imagens de mulheres, removendo roupas a partir de fotografias originais.
Segundo reportagem do portal 20bits, a ferramenta de inteligência artificial tem gerado representações de mulheres em lingerie, biquíni ou sem roupas, o que reacendeu discussões sobre os limites éticos das tecnologias generativas.
Nas redes sociais, as críticas se intensificaram diante da possibilidade de esse tipo de prática configurar assédio digital. Especialistas e usuários apontam que, mesmo quando rostos são modificados, o problema persiste, já que as imagens são criadas sem consentimento e utilizam modelos capazes de gerar resultados altamente realistas.
A controvérsia não é inédita. Em agosto do ano passado, o lançamento do recurso Grok Imagine já havia provocado reações negativas por permitir a criação de imagens e animações hiper-realistas a partir de textos ou fotos, inclusive com conteúdos sensíveis.
À época, especialistas alertaram para os riscos de uso indevido e para a dificuldade de controlar a disseminação desse material.
O debate ganhou ainda mais repercussão após manifestações públicas de Elon Musk, proprietário da plataforma X. O empresário chegou a destacar a função chamada “Spicy” (Picante) e compartilhou imagens geradas pela ferramenta, algumas com representações femininas parcialmente nuas, atitude que foi interpretada por críticos como um estímulo indireto à produção desse tipo de conteúdo.
Imagine with @Grok pic.twitter.com/UIay5yNp97
— Elon Musk (@elonmusk) August 4, 2025
Para a professora Clare McGlynn, especialista em abusos online da Universidade de Durham, no Reino Unido, o caso revela um problema estrutural. Ela classifica a situação como “misoginia por design” e critica a falta de mecanismos eficazes para impedir a sexualização de mulheres, mesmo diante de políticas que proíbem a criação de representações de cunho sexual envolvendo pessoas reais.
O episódio amplia o debate sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia, os limites éticos da inteligência artificial e a urgência de regras mais claras para prevenir abusos digitais, especialmente em um cenário de rápida popularização de ferramentas generativas.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor diste de notícias do Rio de Janeiro.












