A renovação da frota do transporte coletivo começou a sair do papel na Zona Oeste do Rio de Janeiro neste sábado (20), com a entrega de 100 novos ônibus pela Prefeitura.
Os veículos passam a operar em linhas que atendem aproximadamente 20 bairros da região, considerada pela Secretaria Municipal de Transportes a mais deficitária em mobilidade urbana da cidade.
Os ônibus são operados pela empresa Sou Rio, que iniciou suas atividades em 2024 e já coloca em circulação veículos zero quilômetro, dentro do novo padrão visual adotado pelo município.
As cores oficiais só podem ser utilizadas por concessionárias que realizam a substituição completa da frota antiga por veículos novos, o que, segundo a prefeitura, representa um avanço na qualidade do serviço prestado aos usuários.
A secretária municipal de Transportes, Maína Celidonio, explicou que a escolha da Zona Oeste como prioridade levou em conta o histórico de dificuldades enfrentadas pela população local. De acordo com ela, a região sofre há anos com frota insuficiente e veículos em más condições. “Todo mundo precisa de transporte melhor, mas é justo começar por quem enfrenta os maiores problemas”, afirmou.
Linhas beneficiadas
Os novos ônibus começam a operar nas linhas 753, 754, 756, 757 e 870, que atendem os bairros de Santa Cruz, Sepetiba e Paciência. Também foram contempladas as linhas 731, 765, 826 e SN731, que circulam por Campo Grande, Senador Vasconcelos e Santíssimo, ampliando o alcance da renovação em uma das áreas mais populosas da capital.
Durante a cerimônia de entrega, o prefeito Eduardo Paes (PSD) afirmou que a iniciativa marca apenas o início de uma mudança mais ampla no sistema de ônibus da cidade. Segundo ele, a meta da prefeitura é renovar até 4.500 veículos urbanos, elevando os padrões de conforto, segurança e regularidade do transporte público. “Esse é um passo concreto para que as pessoas comecem a perceber as transformações que estamos planejando”, disse.
Próximas etapas
Apesar da entrega dos novos coletivos, eles ainda não fazem parte da nova licitação do sistema municipal de transporte, que deve redefinir o modelo de operação na cidade. A primeira concorrência está prevista para fevereiro, com expectativa de que as empresas vencedoras assumam as linhas a partir de abril do próximo ano.
Enquanto isso, usuários seguem relatando dificuldades no dia a dia. A empregada doméstica Maria Teles contou que a espera por ônibus pode chegar a 40 minutos e que muitos veículos apresentam problemas mecânicos. “Demora muito e, quando chega, está quebrado. A gente espera que agora melhore”, disse.
A professora Nídia Cavalcante também destacou os longos intervalos entre os coletivos. “A espera atrapalha a rotina. A expectativa é que esses ônibus novos realmente façam diferença”, afirmou.
Com a chegada da nova frota, a prefeitura aposta na redução do tempo de espera, no aumento do conforto dos passageiros e no início da reestruturação do transporte público carioca, especialmente nas regiões que historicamente receberam menos investimentos.
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