A tradição de criar máscaras carnavalescas em Olinda, Pernambuco, segue viva graças à dedicação da família Vilela, que mantém o ofício há quatro gerações. Hoje, o artesão Mateus Vitor Santos Vilela, de 27 anos, é o representante atual do legado iniciado por seu bisavô Julião Vilela, fundador do Bazar Artístico de Julião das Máscaras, onde as peças continuam a ser produzidas. O trabalho passou depois para João Dias Vilela, então para seu filho João Dias Vilela Filho, e hoje Mateus mantém a tradição familiar.
João Dias Vilela Filho lembra que seu interesse pelo artesanato começou ainda na infância, observando o pai trabalhar e, posteriormente, lecionando artes plásticas em escolas municipais de Olinda. “Nada no mundo é fácil, tem que insistir. Muitos desistem, mas é preciso dedicação total”, afirma o artesão, hoje com 65 anos.

As máscaras, feitas em papel machê com papel e goma de mandioca, são destaque no carnaval da cidade, sendo usadas em troças, maracatus, blocos e em bonecos gigantes, como o icônico Homem da Meia-Noite, que simboliza a abertura oficial do carnaval olindense.
Pela primeira vez, essa tradição pernambucana ultrapassa fronteiras estaduais com a exposição “Entre Máscaras e Gigantes: Os Juliões do Carnaval de Olinda”, em cartaz no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan), no Museu de Folclore Edison Carneiro, no Rio de Janeiro, até 25 de fevereiro de 2026. Mais de 100 peças estão expostas, com preços entre R$ 100 e R$ 250, parte à venda no local.
Mateus destaca a importância de ver a cultura pernambucana ser reconhecida nacionalmente: “Produzimos máscaras há mais de 100 anos e é um orgulho enorme sermos reconhecidos como artistas”. A La Ursa e outras peças também são utilizadas em decoração, restaurantes, acervos de museus e até no cinema, como no filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça.

O bisavô Julião criou as primeiras máscaras de Pierrot e Colombina, enquanto o avô introduziu os bonecos gigantes, incluindo o Homem da Meia-Noite e a Mulher do Dia. Mateus e seu pai continuam a produção durante todo o ano, atendendo encomendas de máscaras de animais, personagens e participando de feiras, como a Fenearte de Olinda.
Durante a abertura da exposição, João e Mateus conduziram oficinas mostrando o passo a passo da confecção das máscaras. O catálogo da mostra, com fotografias de Mirielle Batista Misael e análise da antropóloga Raquel Dias Teixeira, evidencia que essas peças vão além do carnaval, simbolizando vínculos familiares, convivência e território, perpetuando saberes que unem trabalho, brincadeira e criatividade.
Serviço:
- Local: Museu de Folclore Edison Carneiro – Rua do Catete, 179, Rio de Janeiro
- Período: 11 de dezembro de 2025 a 25 de fevereiro de 2026
- Horário de visitação: Terça a sexta, das 10h às 18h; Sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h
- Fechamento: 24, 25, 31 de dezembro e 1º de janeiro de 2026
- Mais informações: site do Museu de Folclore Edison Carneiro
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