O empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, preso acusado de espancar e jogar a esposa do 10º andar de um prédio na zona sul de São Paulo, recebeu contratos milionários com dinheiro público, conforme reportagem do Metrópoles divulgada nesta quinta-feira (11). Proprietário da Favela Conectada, Alex recebeu R$ 12 milhões da ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidida por Karina Ferreira da Gama, também produtora executiva do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Favela Conectada foi subcontratada pelo ICB para instalar e manter pontos de Wi-Fi nas zonas sul e oeste de São Paulo. Embora o contrato previsse 12 meses de manutenção, os equipamentos funcionaram efetivamente por apenas dois meses, gerando um pagamento de R$ 2,7 milhões, enquanto o custo real seria de cerca de R$ 273 mil. Documentos mostram que parte dos contratos estava assinada apenas com o primeiro nome de Alex e CPF parcialmente oculto, embora outros registros mencionem o nome completo do empresário e da vítima, Maria Katiane Gomes da Silva.
ONG de Wi-Fi e cinebiografia
O ICB, responsável pelo projeto de Wi-Fi gratuito, é liderado por Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”. O longa, em inglês, narra a trajetória de Bolsonaro até a presidência, com direção de Cyrus Nowrasteh e atuação de Jim Caviezel. Karina também comanda outras organizações que receberam emendas parlamentares de deputados aliados de Bolsonaro, como Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Bia Kicis.
Contratos milionários e irregularidades
O contrato do ICB com a Prefeitura de São Paulo, fechado em junho de 2024 no valor de R$ 108 milhões, apresentou ao menos 20 irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Município, incluindo ausência de concorrência e critérios genéricos para escolha da ONG. Cada ponto de Wi-Fi custou R$ 1.800, valor muito superior ao de contratos anteriores da Prodam.
O projeto, previsto para janeiro de 2025, foi antecipado para setembro de 2024, durante o período eleitoral, permitindo pagamentos adiantados baseados em pontos ainda não instalados. Até junho de 2025, apenas 3.200 dos 5 mil pontos planejados estavam em operação.
Subcontratações e estrutura paralela
O ICB firmou sete contratos com empresas terceirizadas, totalizando R$ 98 milhões, incluindo a UltraIP e a Make One. Destacam-se contratos com duas empresas de um casal, André e Débora Feldman, que receberam quase R$ 12 milhões por “gestão técnica da operação”, embora Débora se apresente publicamente como terapeuta holística.
Produção cinematográfica e denúncias no set
As filmagens de “Dark Horse” ocorreram entre outubro e novembro de 2024 em São Paulo. Documentos oficiais omitiram que se tratava de uma cinebiografia de Bolsonaro, mencionando apenas “um soldado”. Profissionais relataram irregularidades trabalhistas, descumprimento de convenções coletivas, falta de contratos e agressões físicas, segundo a revista Fórum.
Histórico de emendas e projetos religiosos
Antes do projeto de Wi-Fi, o ICB atuava com eventos religiosos e educacionais financiados por emendas parlamentares. Em 2025, recebeu duas emendas de R$ 1 milhão cada do deputado federal Mário Frias para projetos de inclusão digital e esporte, além de prestar serviços à campanha eleitoral de Frias em 2022.
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