Os empresários Roberto da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Mourad, o “Primo”, têm duas coisas em comum que hoje os colocam no epicentro do maior terremoto político e empresarial do setor de combustíveis: ambos atuam no segmento e são protagonistas da Operação Carbono Oculto — e ambos estão foragidos, mas já decidiram colaborar com as autoridades. A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo.
As delações premiadas que envolvem “Beto Louco” e “Primo” são consideradas “do fim do mundo”, tamanha sua capacidade de devastação nos bastidores do poder.
Fontes do setor jurídico e político afirmam que as revelações atingem figuras do Centrão e da direita bolsonarista, chegando a ameaçar diretamente nomes como o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Esses empresários não eram simples operadores: passaram anos como grandes financistas de campanhas eleitorais, prestigiados e com livre acesso aos palácios governamentais do eixo Rio-São Paulo-Brasília.
Suas informações sobre o mapa do poder oculto nos combustíveis — especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro — envolvem agentes públicos e setores chaves da administração e da fiscalização, além do setor financeiro, que opera como grande “lavanderia”.
O escopo da Operação Carbono Oculto aponta para uma trama bilionária: estima-se que mais de R$ 52 bilhões circularam por mil postos de combustíveis nos últimos anos, encobrindo lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis, tudo sob a batuta de núcleos empresariais e do PCC.
As delações já acendem alerta máximo em Brasília, com investigações revelando o elo entre grandes grupos econômicos, políticos influentes e órgãos fiscalizadores.
Em meio ao avanço das colaborações judiciais, cresce nos bastidores a dúvida: até que ponto esses depoimentos vão expor o funcionamento de esquemas históricos, protegidos por redes de poder que sempre contaram com proteção nos altos escalões da República e nos Estados? E mais grave: quais nomes e interesses serão preservados ou sacrificados para garantir acordos judiciais e evitar o completo desmoronamento de setores estratégicos da economia nacional?
O que se desenha para os próximos dias é um teste de força para a capacidade do Estado de enfrentar a simbiose entre o crime, o poder público e o mercado — e para a sociedade, uma oportunidade única de cobrar transparência e responsabilização efetiva. As cortinas estão se abrindo, e o palco é o centro nervoso da política brasileira.
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