Pesquisadores brasileiros apresentaram uma iniciativa inovadora que coloca as florestas tropicais no centro das estratégias globais de combate às mudanças climáticas. Batizado de Mecanismo de Reversão de Desmatamento (RDM, na sigla em inglês), o projeto propõe tornar a restauração florestal uma solução prática e economicamente atraente para a captura de carbono, oferecendo alternativa rentável ao uso da terra voltado à agricultura e pecuária.
Segundo Juliano Assunção, economista e diretor do Climate Policy Initiative (CPI/PUC-Rio), é preciso “reenquadrar o papel das florestas na agenda de clima”, reconhecendo-as como elementos essenciais dentro de um conjunto integrado de soluções climáticas. A proposta do RDM baseia-se em estudos conduzidos por Assunção em parceria com o vencedor do Nobel Lars Peter Hansen e com José Alexandre Scheinkman, conselheiro da COP30, que calcularam o valor da tonelada de carbono necessária para tornar a restauração florestal financeiramente mais atraente que a exploração agrícola ou pecuária.
Para identificar as regiões com maior potencial de captura de carbono, os pesquisadores utilizaram dados de satélite para mapear 91 florestas tropicais em todo o mundo. Países como Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo (RDC), que concentram grande parte da cobertura vegetal tropical, também lideram os índices de desmatamento desde 2001. Assunção destaca que essas nações têm potencial “impressionante” para projetos de reflorestamento: caso áreas degradadas sejam restauradas, seria possível capturar até 49 gigatoneladas de carbono. Para viabilizar economicamente a iniciativa, estima-se que uma remuneração de US$50 por tonelada de carbono — cerca de R$270 — seria suficiente.
O RDM não substitui mecanismos já existentes, mas vem para complementá-los. Entre os sistemas atuais estão o Redd++, que concede créditos de carbono pela redução do desmatamento, e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), voltado a países que apresentem resultados concretos na preservação e recuperação de florestas. A proposta reforça a ideia de que incentivos financeiros podem equilibrar desenvolvimento econômico e conservação ambiental, transformando florestas tropicais em ativos estratégicos no combate às mudanças climáticas.
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