A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã deste domingo (23), a Operação Profeta, cumprindo mandado de busca e apreensão no estado do Ceará. A ação, autorizada pela Justiça Federal, visa aprofundar as investigações sobre uma suposta fraude no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, envolvendo a divulgação antecipada de questões aplicadas no segundo dia de provas.
A mobilização policial ocorre em resposta a uma solicitação do Ministério da Educação (MEC). A equipe técnica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) identificou, por meio de monitoramento nas redes sociais, que questões com “similaridade substancial” às da prova oficial circularam na internet antes da aplicação do exame, realizada no dia 16 de novembro.
O foco central da investigação é entender como o conteúdo sigiloso veio a público. Segundo informações preliminares, o vazamento não teria ocorrido no dia da prova, mas sim em uma etapa anterior.
Em entrevista concedida à TV Educativa do Ceará na última terça-feira (18), o ministro da Educação, Camilo Santana, detalhou a linha de investigação. Segundo o ministro, os indícios apontam que uma pessoa que participou do pré-teste do Enem teria divulgado o conteúdo durante uma transmissão ao vivo (live) na internet, dias antes da aplicação oficial.
Impacto e anulação de questões
O pré-teste é uma etapa fundamental e sigilosa de calibragem do exame, onde novas questões são aplicadas a uma amostra controlada de estudantes para avaliar se atendem aos critérios técnicos antes de integrarem o Banco Nacional de Itens (BNI). A suspeita é de que a quebra de sigilo tenha ocorrido justamente neste ambiente controlado.
A repercussão do caso gerou consequências imediatas para os cerca de 3,36 milhões de participantes que realizaram as provas de Ciências da Natureza e Matemática. Diante da confirmação de que o conteúdo circulou previamente, o Inep agiu por precaução e anulou três questões do exame na terça-feira (18).
Além da anulação, a autarquia antecipou em um dia a divulgação do gabarito oficial, buscando dar celeridade e transparência ao processo em meio às denúncias.
Posicionamento da Polícia Federal
Em nota oficial divulgada neste domingo, a Polícia Federal reforçou que a Operação Profeta tem como objetivos esclarecer os fatos, identificar os responsáveis pela obtenção e divulgação indevida dos dados e mapear possíveis conexões com outros crimes.
“A Polícia Federal reafirma seu compromisso com a integridade dos concursos públicos e com o combate a fraudes que comprometam a confiança da sociedade nos processos seletivos nacionais”, declarou a corporação.
A investigação segue em curso para determinar a extensão do vazamento e se houve benefício direto a grupos específicos de candidatos.
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