A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta terça-feira (11) o julgamento dos réus do chamado Núcleo 3 da trama golpista que ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro. O grupo é formado por nove militares do Exército e um policial federal, todos acusados de crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, grave ameaça e deterioração de patrimônio protegido.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), os integrantes, apelidados de “kids-pretos”, teriam monitorado o ministro Alexandre de Moraes e outras autoridades, incluindo o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e o vice Geraldo Alckmin, com planos de ações violentas antes da posse em janeiro de 2023. As atividades do grupo, segundo a acusação, indicam que o plano golpista estava em execução, não apenas em planejamento, em um esquema identificado como “Operação Copa 2022”, derivado dos planos Punhal Verde e Amarelo, descobertos pela Polícia Federal.
Entre os réus estão: Bernardo Romão Correa Netto (coronel), Estevam Theophilo (general), Fabrício Moreira de Bastos (coronel), Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel), Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel), Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel), Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel), Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel), Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel) e Wladimir Matos Soares (policial federal).
No caso de Ronald Ferreira de Araújo Júnior, a PGR solicitou a desclassificação da acusação para o crime de incitação das Forças Armadas contra os poderes constitucionais, o que poderia possibilitar um acordo de delação premiada, isentando-o das cinco acusações que pesam sobre os demais réus.
O julgamento do Núcleo 3 ocorre após a condenação de 15 réus de núcleos anteriores: oito do Núcleo 1, liderado por Jair Bolsonaro, e sete do Núcleo 4. O próximo julgamento, referente ao Núcleo 2, está marcado para 9 de dezembro.
O caso reforça a atenção do STF à atuação militar na tentativa de golpe, destacando o risco das ações coordenadas para instituições e cidadãos, e marca mais uma etapa do esforço da Justiça para responsabilizar os envolvidos na trama contra a democracia brasileira.
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