Enquanto a Copa do Mundo de Futebol não chegava, aproveitei para assistir filmes interessantes nas redes. Um bem cativante versou sobre salvar um cinema numa pequena cidade do País de Gales (Reino Unido).
Isso me trouxe à memória meus primeiros passos dentro de uma sala de cinema e a magia da sétima arte entrando na minha vida de forma avassaladora.
Nesta película, um prefeito muito descuidado (para dizer o mínimo) tenta fechar uma sala de espetáculos, responsável pelo acesso à cultura e espetáculos para jovens interioranos, cujo futuro poderia ser melhor, mediante o acesso à Shakespeare.
Isto, entretanto, não me deixou alheio ao artigo publicado no Diário da Guanabara e no Portal VIU!, assinado pelo jornalista Roberto Barbosa, criticando corretamente a defesa intransigente feita pelos economistas liberais (Armínio Fraga, Edmar Bacha e Pedro Malan), na imprensa brasileira, do famigerado “Teto de Gastos”.
Este limite imposto pelo governo Temer, às políticas públicas federais é o responsável, por exemplo, pela volumosa fila e atrasos de intervenções cirúrgicas (de mais de dois anos) no Sistema Único de Saúde – SUS. A verba deste setor está hoje, ao nível de 2010, enquanto a população cresce e as necessidades de serviços públicos, das famílias mais pobres só aumenta em grande escala, pela precariedade da situação concreta do andar de baixo.
Manter este teto é pedir aos 100 milhões de brasileiros com acesso ao Auxílio Brasil/Bolsa Família, que diante do custo de uma cesta básica já custando R$ 700 aceitem ver reduzido o valor mensal da ajuda de R$ 600 para apenas R$ 405.
Aliás, um simples almoço de trabalho daqueles 3 ricos economistas num restaurante de luxo em São Paulo, ou Rio de Janeiro não fica por menos de R$ 1 mil. Sacou? Somos o paraíso do rentismo, em escala internacional, com representantes locais bem afiados para justificar!
Economistas contratados por banqueiros e banqueiros economistas são os únicos que ainda possuem a coragem de vir a público defender essa “(i)responsabilidade fiscal”.
Aliás, neste ano de 2022, o Tesouro Nacional fará um superávit, com nossos suados impostos de 155 bilhões de reais, para pagar parte da volumosa cifra dos juros estratosféricos da dívida público de cerca de 600 bilhões de reais, montante que beneficia apenas poucas (cerca de 4 milhões) famílias ricas e poderosas desta terra abençoada por Deus cheia de recursos naturais, mas cuja população atinge 215 milhões de habitantes.
Ao criticar essa atitude, o Portal VIU! e o Diário da Guanabara acertam na mosca!
*Ranulfo Vidigal é economista, consultor e doutorando pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele é colunista permanente do Diário da Guanabara.












