A escritora mineira Ana Maria Gonçalves assume, nesta sexta-feira (7), a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL), em uma cerimônia marcada para as 20h no Petit Trianon, sede da instituição, no centro do Rio de Janeiro. Com a posse, ela se torna a primeira mulher negra a integrar o quadro de imortais da ABL em seus 128 anos de existência, além de ser a integrante mais jovem da atual composição.
A solenidade será transmitida ao vivo pelo site e pelo canal do YouTube da Academia. Ana Maria será recepcionada pela antropóloga e historiadora Lilia Schwarcz e receberá o colar acadêmico das mãos da escritora Ana Maria Machado. O diploma será entregue pelo músico e também imortal Gilberto Gil.
A comissão responsável pela entrada da nova acadêmica será formada por Rosiska Darcy de Oliveira, Fernanda Montenegro e Míriam Leitão, enquanto a comissão de despedida do professor Evanildo Bechara — a quem Ana Maria sucede — contará com Domício Proença Filho, Geraldo Carneiro e Eduardo Giannetti.
De acordo com a ABL, a autora preparou algumas surpresas para o público. Após a cerimônia, haverá um jantar para cerca de 300 convidados, com cardápio inspirado na culinária africana, refletindo as origens culturais presentes em sua obra. A noite também incluirá uma apresentação musical surpresa, organizada por amigos da escritora, que chegarão em cortejo ao Petit Trianon.
Trajetória literária e legado
Nascida em Ibiá (MG), em 1970, Ana Maria Gonçalves é reconhecida por seu trabalho como escritora, roteirista, dramaturga e professora de escrita criativa. Ela é cofundadora da Terreiro Produções, empresa dedicada à promoção da cultura afro-brasileira.
Autora de Ao lado e à margem do que sentes por mim e do premiado Um defeito de cor — vencedor do Prêmio Casa de las Américas em 2007 —, Ana Maria se consolidou como uma das vozes mais importantes da literatura contemporânea. O romance, resultado de cinco anos de pesquisa e escrita, é considerado essencial para a compreensão da formação histórica e social do Brasil. Em 2024, a obra inspirou o enredo da Escola de Samba Portela, que levou a história de sua protagonista para a Marquês de Sapucaí.
Com passagem por universidades de prestígio nos Estados Unidos, como Tulane, Stanford e Middlebury, Ana Maria ministrou palestras e oficinas sobre literatura e relações raciais. Viveu oito anos no exterior e teve textos publicados em países como Portugal, Itália e Estados Unidos.
Ao ocupar a cadeira 33 — antes pertencente ao filólogo e professor Evanildo Bechara, falecido em maio deste ano —, Ana Maria Gonçalves marca um novo capítulo na história da ABL. Sua chegada simboliza não apenas a representatividade da mulher negra na literatura brasileira, mas também o compromisso da instituição com a diversidade e a renovação cultural.
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